CAP.05

5. 37°C

Duas semanas se passaram. Estávamos quase no fim de maio. Logo seria verão aqui no hemisfério norte.

Como de costume era dia de ir à escola. Tomei meu banho, sempre demorado e com muito capricho. Arrumei-me como sempre fazia, vestindo aquela roupa horrorosa da escola.

Bom, apesar desse item desagradável, desci para tomar um café da manhã digno da realeza. Dona Anna era muito boa na cozinha: havia sobre a mesa, três tipos de bolo, dois tipos de pães, toda sorte de biscoitos, panquecas gostosas (lembrei do seriado da Disney, Os Feiticeiros de Waverly Place) e um monte de outras coisas também.

O ônibus escolar passou e fomos embora. A única curiosidade naquela manhã foi que, bom, Summer não estava lá para apressar todo mundo. Foi estranho seguir viagem só com Jacoh. Ainda bem que para salvar o dia Coraline estava lá.

– E ai brasileirinho?! – era como ela me chamava. Não era um apelido muito criativo, mas… – Cadê seu irmão Summer?!

– Eu não o vi essa manhã.

– Que pena – ela realmente sentia algo por ele. Deu uma pontada no coração quando ela disse “que pena” com tanto peso.

– Amanhã ele vem – afirmei – para sua felicidade. – dei um sorriso tentando imitar Summer. Não pareceu convencer. Flies me deu uma cotovelada e caiu na gargalhada. Ri para não perder a amizade.

Fomos para nossa aula de matemática. A aula não era muito boa, acho que o senhor Math Numberous deveria ser demitido para uma renovação, mas se a escola gosta tanto dele; vivas de alegria!

– Ai que aula chata… – reclamou um garoto na minha diagonal de trás.

– É mesmo. Não estou me agüentando na cadeira. – concordou uma garota que estava ao seu lado.

Número vem e, contas vão e finalmente o sinal da primeira aula toca. A próxima aula é de biologia, adoro qualquer coisa relacionada à biologia. Creio que seguirei essa carreira quando for para faculdade.

Sentei bem na frente dessa vez. Coraline sentou-se atrás de mim. A professora não apresentava ter mais de vinte e cinco anos. Ruiva, alta, com olhos magníficos de um tom verde vítreo, realmente me despertava calores só de olhá-la.

Ela estava falando sobre como os cromossomos são organizados, sobre o DNA, enfim, coisas sobre genética.

– Heatsun. – tremi na base. A professora Blazeness me dirigiu a palavra. – Supúnhamos que uma família seja formada por quatro pessoas, sendo que os pais possuem olho azul. – assenti – A pergunta é: – estava muito ansioso para responde-la – os filhos do casal possuem qual cor de olho?

Realmente era uma pergunta muito fácil. Uns garotos da minha diagonal sussurravam a resposta, obviamente errada.

– Obrigatoriamente azul. – A senhorita Dia, fez uma cara de: nossa que inteligente esse brasileiro. Como se todo brasileiro fosse totalmente tapado e analfabeto e eu a única exceção.

– Me explica o motivo.

– É o seguinte… – comecei – se ambos os pais te olho azul, ou seja, recessivos. Os filhos só poderão nascer com olhos claros. Se algum deles tiver um olho castanho, por exemplo, ele é adotado, pois os pais não possuem um gene que combinados entre si de um olho castanho. – ufa! Estava super tremendo de nervosismo quando acabei. A sala ficou em silencio.

– Muito bem classe; aprendam com seu colega Heatsun.

Senti-me o máximo, ou seria realmente eu sou o máximo. Ri interiormente. Enquanto a aula se desenrolava, Flies me cutucava. Eu estava perdendo a paciência. Apesar dela ser uma garota, homens e mulheres tem direitos iguais nesse mundo.  Se ela me cutucasse mais uma vez se quer eu quebraria sua cara.

– Cara! – exclamou Flies. Virei-me para escutá-la – Você realmente é impressionante.

– Eu só respondi a pergunta. Se você estudasse mais, também saberia a resposta.

– Aff!

Depois da gostosa aula de biologia, seguimos o dia com as outras aulas do horário. Era quase meio dia e eu ainda não sabia onde estava Summer. Bom, pelo menos Coraline ficou comigo o tempo todo. Junior Também. Bom, Junior era só um apelido, o nome dele de verdade é Tanaka Nagazawa, o chamamos de Junior por que ele é pequenino, só por isso. Ele acaba de se mudar do Japão pra cá. Seu pai veio a trabalho. Ele é bem divertido. Tem os olhos negros e rasgados como todo japonês; e seu cabelo é bem denso com um corte moicano simples. Junior era o único que conseguia deixar o uniforme da escola descolado.

Ele usava todo tipo de acessório e ele mesmo customizou o uniforme. Deixava a gola da camisa para cima, fora da calça, e deixava desabotoados os dois primeiros botões da camisa. Sempre ia de All Star, sempre um diferente do outro, e usava um cinto muito louco.

– O que vocês vão fazer agora? – perguntou Junior

– Almoçar né?! – disse Flies “carinhosamente”

– Nossa que grossa Coraline, vê se me erra.

– Calma, Junior, vem almoçar com a gente. Prometo que ela vai se comportar. Né?! – dei uma cutucada em Flies.

-Ai! – Coraline me olhou feio, como se quisesse me matar ali mesmo no corredor da escola,mas como ela é uma boa amiga, apesar do pouco tempo juntos, atendeu meu pedido. Cora, um apelido que ela detestava, fez um “X” no ombro esquerdo. – Prometo tampinha… – olhei feio pra ela, Flies bufou – Prometo Tanaka. – corrigiu-se

Bom, resumindo: almoçamos no refeitório do colégio. Estava muito gostoso apesar do que todo mundo diz, eu realmente adorava a comida do colégio. Tivemos um momento juntos, onde conversamos sobre nada literalmente. Voltamos às aulas e fui-me para casa.

Dei boa tarde a todos assim que eu cheguei; somente o isolado (Jacoh) não me respondeu. Subi para trocar de roupa, e guardar as minhas coisas. Enquanto tirava a camisa do uniforme percebi que não vira Summer em momento algum do dia. Onde será que ele se meteu? Pensava comigo mesmo; aposto que o senhor e senhora Watson iriam pirar se soubessem que meu querido e radiante irmão desaparecera.

Bom, apesar desse pequeno problema, tudo estava corriqueiramente dentro dos planos diários; e quais seriam eles? Simples e fácil de guardar: levantar de manhã, ir a escola, voltar para casa, passar um tempo com a família e dormir para um novo raiar de dia. Eu disse que era fácil.

Desci as escadas vestindo um shortinho básico azul, uma camisa velha com a bandeira de meu país e minhas Havaianas. O jantar estava na mesa. O cardápio de hoje era purê de batatas com salsinha, pelo menos eu achava que era podia ser tanta coisa, por exemplo, cebolinha; Salmão grelhado ao molho de maracujá, muito exótico para meu gosto, mas estava tudo uma delicia. Enquanto jantávamos, percebi que ninguém aparentemente sentiu falta de Summer, a alegria da casa.

– É… – bati no copo com uma colher para chamar atenção – Cadê o Sammy? – alem do apelidinho super carinhoso, ousei em perguntar sobre ele, já que ninguém ficou surpreso por ele não dar as caras o dia todo. Jacoh revirou os olhos, bufou e pediu licença; ele simplesmente se retirou, como se minha pergunta fosse obvia demais para ele. Olly me olhava fixamente com seu sorrisinho básico. Anna olhou para seu marido como se entre linhas dissesse: agora conta, não tem outro jeito.

– Bom… – começou Charles – ele tem certo problema com o Sol, um tipo de alergia…

– Nossa! Que horror!- não me contive, realmente era algo inesperado.

– Bom, é só um defeitinho de fabricação. – A senhora Watson riu-se.

– Mas, por exemplo, onde ele esta?

– Então, quando a temperatura sobe; digamos uns 37ºC mais ou menos, ele fica aqui em baixo no porão.

– Nossa que coisa triste. – muito, muito triste. Como um garoto pode se trancafiar no porão por causa de uma alergia? Me diz? Como faz?

– Já procuramos médicos, mas nenhum sabe como curar.

– E eu posso vê-lo?

– Ele se tranca no porão. Ele prefere ficar sozinho nos dias de pico. Desculpa filho…

Dei de ombros e comecei a degustar de minha sobremesa, um mouse de chocolate. Em cada colherada que dava no meu delicioso chocolate, pensava nessa tal alergia doentia de Summer. Como é que ele podia ter um negócio desses, ele era tão vitalício, enérgico; ele é muito parecido com o Super-Homem, ou seja, um bosta (desculpe a minha falta de cordialidade) literalmente. Basta à temperatura aumentar e o senhor “Adoro-o-Sol”, se esconde no porão.

– E como é essa tal alergia?

Ollivia se lambuzava de chocolate, e dona Anna, como uma boa mãe, limpava-a com carinho. Charles, meu pai, pensava como me responder à pergunta que eu acabara de fazer. Eu creio que estou começando a não querer saber a resposta de tal pergunta. Será que é uma alergia monstruosa que deixa o coitadinho cheio de feridas, eca que nojo.

– Então, eu só vi uma vez… – o senhor Watson deu uma olhada rápida pra dona Anna – você sabe que ele tem umas manchas alaranjadas no olho né? – fiz que sim com a cabeça – então quando a temperatura sobe demais e os raios UV se tornam intensos, o olho dele fica todo laranja e lacrimeja muito e se mistura com uma secreção amarelada… – fiz uma cara de nojo momentânea e balanceia cabeça para ele prosseguir. – A pele dele fica rachada, tem umas erupções de sangue repentinas, um horror.

– Eca papai! – interveio Ollivia com sua opinião.

-Hum… – suspirei eu. Realmente ele tinha razão de ficar sozinho lá no porão. Se eu visse um troço desses andando por ai, morria do coração. Coitado de Summer. Depois de saber de sua alergia, tive muita pena dele. Imagina se ele estivesse namorando a Flies, e de repente a temperatura subisse e ele tivesse que se esconder no porão…

– Hahahaha! – não agüentei, tive que rir, era uma situação tão engraçada.

– Então você está rindo da desgraça alheia né senhor Heatsun? – disse a senhora Anna. – vem me ajudar a lavara louça mocinho.

Muito chato lavar louça, mas só tinha eu na cozinha para ajudá-la. Olly foi brincar com Jacoh lá no quarto dele e o senhor Watson é o chefe da casa, logo não lava louça; só trabalha para sustento de sua família.

Bom, acabei de lavar e minha mãe guardou a louça e limpou a cozinha hum instante.

– É… Luidge? – perguntou Anna

– Sim

– Você quer tanto falar com Summer, então eu pensei se você poderia levar o jantar para ele.

-Claro! – disse super alegre, não esperava a hora de vê-lo, a Cláudia também estava muito afim (uma expressão brasileira).

– Que bom. – minha mãe sorriu e me entregou uma bandeja pesada; Sammy comia demais. – você sabe onde fica?

Eu estava lá já fazia um tempo, mas ainda não sabia onde ficava o bendito porão. Fiz que não com a cabeça.

– Depois da escada, logo tem uma porta, é só abri e descer as escadas. Lá embaixo tem outra porta…

– O porão. – completei.

A mulher cheia de maternidade nos olhos disse sim com a cabeça e fui ao encontro do monstro Summer, haha, continua muito engraçado.

Abri a primeira porta e comecei a descer. À medida que eu descia os degraus, pude sentir a temperatura subir. Logo deduzi que era o aquecedor da casa. Aproximei-me da porta onde estava confinado Summer e pude ver por debaixo dela uma luz alaranjada ou tremeluzindo de um tom amarelado.

Bati na porta uma vez e, ninguém respondeu. Bati uma segunda vez; ouvi uns passos.

– É você mãe? – disse Summer com cautela.

– Não…

– O que você faz aqui em baixo Luidge! – primeiro ponto: ele reconhece minha voz; segundo ponto: ele não gostou que eu fora até lá, só pelo tom de sua voz pude perceber.

– A mãe disse que eu podia vir…

– Eu avisei pra ela que não queria que você descesse até aqui!

– Desculpa. Eu não sabia que essa sua alergia era tão importante assim…

Deixei a bandeja ao lado da porta e comecei a subir as escadas, me sentindo péssimo por querer fazer companhia ao meu novo irmão que estava passando por dificuldades. O calor que me assolava estava diminuindo quando eu ouço um ranger de porta se abrindo.

– Luidge… – Minha mão já ia virar a maçaneta quando Summer chamara. – hum… Será que você pode me fazer companhia?

Mantive o silencio e não virei para olhá-lo, esperei até que ele se desculpasse e implorasse, que exagero, pela minha presença.

– desculpa por ter te expulsado. É que só minha mãe vem aqui em baixo quando essa droga de alergia aparece e, quando ouvi sua voz fiquei aterrorizado, não sabia o que fazer e…

– cala a boca Summer! – disse num tom muito seco. Não virei para olhá-lo. Abri a porta rapidamente e bati-a atrás de mim. Summer foi um grosso mal educado. Como é que ele pode fazer uma desfeita com alguém que o quer ajudar, que se importa com ele. Senti-me um pouco como Coraline, que gosta tanto dele, mas é sempre repelida por ele. Não que esse seja o caso; eu gosto dele e, não o amo de paixão como a fulaninha.

Eu geralmente não explodo com facilidade, mas ser tratado como qualquer um não dava pra mim. Eu simplesmente me enfureci. Jacoh estava passando por mim e nem me olhou. Fez aquela cara de nojo e subiu as escadas. Subi logo atrás.

Tomei banho e fui dormir, já era tarde e amanhã tinha aula. Não tive nenhum sonho aquela noite.

O relógio tocou o suficiente para acordar-me e, o resto da casa também. Fui ao banheiro e pude ver um olhar de fúria verde fechando a porta do banheiro. Jacoh, de quem mais seria?

Bom, logo depois tomei uma ducha e coloquei o uniforme. Desci para um super café da manhã, mas não deu tempo para me deliciar com tudo o que foi oferecido pela dona Anna. Entrei no ônibus e sentei-me ao lado de Coraline (o ônibus passava antes na casa dela, então…).

Tivemos as aulas de sempre, matemática, historia Inglês… Escutei poucas e boas de Flies sobre Summer, Tanaka falou saco sobre tecnologia, musica e sei lá mais o que. Ainda bem que deu a hora do almoço e logo em seguida, depois da eternidade que durou a aula dupla do professor Eros (sabe o gostosão que desperta calores nos alunos e leciona literatura?), fui embora para casa.

Fiz o de costume, troquei de roupa (coloquei um Short e uma regata), desci para jantar e passei um tempo com Olly. O diferente foi que Jacoh ficou conosco na sala.

Quando passei perto da escada, o ambiente estava morno e, quanto toquei o corrimão, de ferro, estava quente.

Acabei de subir as escadas e deitei-me.

Em minha cama pensei: meu dia foi muito chato, acho que é por causa de Summer. Ele faz o meu dia mais feliz (Ops!), digo, não como Flies, uma perdida apaixonada por ele, mas como um amigo, um companheiro… Sei lá.

Acabei adormecendo.

No dia seguinte, como de costume dos vivos, levantei de minha cama e coloquei meu “lindo” uniforme.

Saí correndo, pois eu estava de certa forma um pouquinho atrasado, acordei dez minutos depois do horário previsto pelo meu despertador.

Entrei no ônibus escolar e percebi que o dia não estava n  tão quente como a dois dias atrás. Estava agradável, tipo uns… Se lá, num chute, creio que uns 26ºC.

Cheguei à escola e assisti a uma incrível aula de biologia. A professora Blazeness estava linda como sempre. Ela discutia um assunto complementar a aula de genética, muito boa por sinal.

Depois do intervalo, tivemos aula de História, e o mais incrível foi que Summer estava presente. Fiquei pasmo com a presença dele (ou seria furioso?).

– Oi… – disse Summer baixinho. Tentei ignorá-lo, mas… Só acenei com a cabeça. Sentei-me ao seu lado.

O Alérgico a temperatura entrelaçava uma caneta entre os dedos durante a aula e prestava atenção nas palavras do professor. Flies fazia a mesma coisa, mas prestava atenção em Summer, nunca vi uma pessoa tão redondamente apaixonada que nem ela.

Olhei para meu irmão por um instante e pude notar que seus olhos ainda estavam alaranjados e sua pele ainda tinha resquício da escamação. Tive pena de Summer.

– Presta atenção Luidge! – disse Tanaka ao pé da minha orelha. Fiz sinal de positivo.

Finalmente a aula acabou. Juntei minhas coisas o mais rápido possível, não queria encarar Summer tão cedo. Enquanto saia, senti uma mão quente e robusta me segurando.

– Espera Luidge, precisamos conversar… – O ensolarado havia me agarrado.

– Eu não tenho nada para falar com você.

– AH, tem sim!

– Não, não tenho!

– Vem logo!

Enquanto me arrastava pelo corredor, pude ver olhos prestando atenção na ceninha que estava ocorrendo. Flies tentou fazer algo, para me acudir, mas… Summer o ser mais educado do planeta a afastou bruscamente com suas palavras. Foi algo do tipo… “Agora não Coraline!”.

Ele me pressionou sobre os armários do corredor, perto do banheiro e dos bebedouros. Pude sentir sua respiração angustiada e ansiosa.

– Desculpa… – disse quase num sussurro.

– O que?

– Me desculpa Luidge…

– Pelo o que? Você não fez nada de errado… – disse ironicamente.

– Não se faça de desentendido.

– Aff. – bufei – Te desculpo. Posso ir?

– Ainda não acabou. – eu pensei que seria só isso, mas parecia que havia mais da parte dele a ser falado.

– o que mais você quer me dizer? – joguei super verde, bem na cara; sabe? De modo a instigá-lo.

– É sobre a minha alergia, sobre as suas dores de cabeça… – Sobre o que Summer estava falando? O que minhas enxaquecas tinham haver com a alergia dele? O que estavam me escondendo? Queria saber mais e esse seria o momento.

– O que tem?

– É… Eu não deveria falar nada, mas…  – Summer só enrolava, nunca era direto nos assuntos.

– Fala logo! – perdi a paciência.

Nisso, Jacoh apareceu. Summer deixou de ser turbulento e se foi. É ele foi embora e me deixou falando sozinho. O garoto emo olhou em meus olhos por uns instantes, jogou a franja gigantesca dele e também se foi como sempre fazia.

Bom, fiquei sem saber de nada, mas não parecia ser o fim do mundo.

Bateu o sinal da última aula. Fomos pra casa.

Jantamos, tomei um banho e fui pra cama. Tentei falar com Summer sobre o ocorrido, mas nem dei tanta importância.

Nessa noite sonhei com Jacoh. Mas ele estava diferente do normal dele. Estava sorrindo, mas não era um sorriso de alegria em me ver, era um sorriso de psicopata. Sua franja caia sobre um dos olhos.

O olho que dava pra ver, não tinha a coloração verde de sempre. Era mais vermelho.

Jacoh avançava em minha direção. Tentava fugir, mas não conseguia. O garoto psicótico colocou a mão gélida em meu rosto e aproximou-se. Pude sentir seu hálito em minha boca. Era quente. Muito quente.

Acordei. Summer havia me tocado. Era hora de levantar para ir à aula.

A semana fluiu bem, sem muitas expectativas.

Summer foi viajar nesse fim de semana, junto com Anna e Ollivia. Eu não quis ir, pois havia uns trabalhos para fazer. Curiosamente Jacoh também.

Minha sorte foi saber que o senhor Watson iria ficar conosco. Ai se algo acontecesse havia alguém para me salvar.

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CAP.04

4. OLLIVIA WATSON


Uma semana se passou depois do ocorrido que causou pânico em meus novos familiares.

Logo pela manhã, fui direto ao banheiro me arrumar para as atividades escolares. Desci as escadas e meus irmãos já estavam tomando o café da manhã. Minha mãe estava sempre com um belo sorriso no rosto, mesmo fazendo ovos, ela era impecável em simpatia e alegria. Meu novo pai estava em sua poltrona preferida lendo seu jornal matinal, enquanto tomava uma xícara de chá. O cheiro era inconfundível. Erva cidreira.

O ônibus chegou sem atraso, como sempre. Tivemos nossas aulas como sempre. O professor Sweetlovie estava atraente como sempre. Até mesmo os garotos da sala olhavam-no com olhos famintos; eu não era o único. Flies, a namoradinha secreta de Summer, continuava triste pela bota que havia levado; mas não perdeu a esperança. Foi o que ela me disse num dos intervalos de aula.

Assim que voltamos para casa, no final do dia, Ollivia quis que eu ficasse com ela o resto do dia, ou seja, até o horário dela ir para cama. Eu não resisti e cedi aos seus encantos de criança.

Ela me arrastou até o quarto dela. Eu, nunca havia entrado antes. As paredes eram de um tom rosado, tipicamente feminino, e todas as quatro paredes tinham texturas circulares. Ao longo da janela se estendia uma cortina rosa intenso, cheia de babadinho. A cama dela dava duas da minha. Era enorme, e o colchão incrivelmente fofo. Havia prateleiras cheias de ursinhos e bonecas. Um armário embutido no canto direito do quarto e uma mesa de chá no centro dele. O chão era coberto de um carpete creme, igual o sorvete.

– Vem Lu! Não fica parado. – disse a angelical menina. Avancei para explorar o resto das particularidades de seu majestoso quarto. No canto rente a porta, existia uma gigantesca caixa de brinquedos e montanhas de lápis de cor. As paredes desse canto eram totalmente decoradas com desenhos de Olly. Enquanto ela me arrastava até a mesa de chá, a garotinha exclamou:

– Gostou do meu quarto?

– Gostei.

– Vamos desenhar de novo? – balanceia cabeça e disse que sim. Olivia encheu-se de alegria e foi correndo pegar os lápis e os papéis.

A pequena menina, quando fazia cara de quem estava muito ocupada, parecia muito com seu pai; séria, concentrada em cada traço, fiscalizando-se para não errar. A luz do crepuscular do dia enchia o quarto de uma luz dourada, que refletia nos cabelos de Ollivia de um jeito tal que fazia a garota se transformar num anjo, totalmente iluminada pela luz. Enquanto desenhávamos, Olly espiava meu desenho, justamente para copiá-lo; eu não ligava muito para isso, o meu ia ficar muito melhor mesmo, mas eu ia mentir e dizer que o dela ficou mil vezes melhor. Ficamos em silencio durante uns vinte minutos. Felizmente eu quebrei o silencio e perguntei a garota:

– O que você está desenhando?

– Um cavalo correndo nos campos de morango.

– Nossa! – exclamei, quanta imaginação ela tinha. O meu era só um cavalo trotando pela colina, mas o desenho dela era super de menininha e muito criativo também. – Ta ficando muito bom Olly. Parabéns.

Ela riu como sininhos ao vento e voltou suas atenções para sua obra de arte. Eu ainda não tinha acabado de conversar com ela.

– Me conta Ollivia… Qual irmão você mais gosta?

Olly olhou para mim e respondeu sem enrrolação – Você. – eu dei uma gargalhada alta e disse que eu não contava como um dos irmãos. Ela fez um beiçinho, e começou a pensar. Enquanto deliberava qual dos irmãos era seu preferido, a garotinha dos cabelos de ouro coloria seu desenho. Ela pintava os morangos com um lápis de cor vermelho. Sua mão segurava, ou melhor, envolvia o lápis colorido, de forma que ficasse seguro e firme para a pintura; com seus movimentos de vai e vem, rapidamente pintava as frutinhas de vermelho. A pintura não ficou lá grandes coisas, mas dava para ver que as crianças de sua idade não bateriam aquela pintura.

– Jacoh. – disse a menina subitamente no meio de sua pintura. Ergui as sobrancelhas surpreso; pois esperava que ela dissesse Summer. Fiz uma cara muito de bobo e, lhe perguntei o porquê da escolha.

– Nossa! Pensei que você ia dizer Summer! – Ela me olhou de canto e voltou sua atenção ao papel. – Me conta o motivo dele ser seu preferido depois de mim? – dei um sorriso de convencido. Olly ainda desenhando respondeu com firmeza e determinação.

– Ele é legal.

– Esse é o motivo? Ele é legal?

– É. Ele é legal.

– Deve ter algo mais do que só legal? – a menina dos cabelos dourados deixou de colorir seu lindo e precioso desenho e, me encarou com um olhar de criança querendo defender seus ideais ou algo assim. Naquele momento eu realmente senti um arrepio subir pela minha espinha. A tranqüilidade que outrora era passada por ela, sumira de repente e me vi diante de outra criança; uma Ollivia nunca vista antes.

– Olha senhor Luidge… – sua voz subiu um tom e meio e parecia um pouco exaltada. Ela voltou a me chamar de senhor Luidge; isso não era um bom sinal. – Meu irmão Jacoh é muito bom comigo. – Comigo ele não era nem um pouco, pensei comigo mesmo. Tentei responder, mas não consegui. A pressão que sentia era tamanha que só pude continuar ouvindo. – Quando eu estou com ele, muitas coisas legais acontecem.

Depois de seu “longo” discurso sobre como ela se sentia com Jacoh, a força que me deixava arrepiado se foi e pude falar.

– Perdão Ollivia, não queria ser grosso com você. – disse de coração. Olly continuou olhando para mim com os olhos cheios de lagrimas e fez um beicinho tremulo. A menina angelical começou a chorar torrencialmente e eu, novamente, não sabia o motivo. – O que foi agora Olly? Foi alguma coisa que eu disse? – estava realmente desesperado. A menina começou a chorar do nada. Era realmente uma coisa inacreditável, apesar dela ter lá seus oito anos. As grandes gotas de água salgada de seus olhos encharcavam seu lindo desenho. Tentei acalmá-la de outro jeito. Sentei-me ao lado dela. Abracei-a, como um pai ou um parente próximo. Creio que talvez como um irmão. Acariciei seu cabelo comprido e dourado como a luz do Sol e, massageei suas costas com tapinhas leves. Para finalizar cantarolei a canção de ninar tema do filme “O Labirinto do Fauno”. Sempre dava certo com meu irmão, quando ele era menor; não custava tentar com Olly. Um minuto depois, Ollivia havia acalmado sua respiração e seu choro frenético tornou-se escasso. Ela me abraçou. Um abraço apertado e caloroso. Senti paz e uma extrema calma me encher por completo.

– Te amo Lu… – Olly realmente era muito boa com palavras. Dava para sentir exatamente o que ela sentia; como se nós fossemos uma pessoa só e, posso afirmar que o amor que ela expressava não era romântico; era fraternal, como se nós fossemos realmente ligados por sangue. Comecei a chorar juntamente com ela. Uma tortura, pois eu realmente gosto de guardar o que sinto para mim, mas guando a caixa de pandora era aberta, não havia ninguém que podia parar-me.

Olly olhou para mim. Seu rosto estava vermelho de tanto chorar e seus olhos tornaram-se amarelos, pois suas lagrimas lavaram seus olhos avivando sua coloração.

– Não chora Lu… – instantaneamente Olly começou a cantarolar a canção de ninar que eu cantara agora a pouco. Realmente dava certo. Tranqüilizei-me e dei um abraço apertado em minha irmãzinha.

– Ai, ai… – suspirei – Você aprende rápido mesmo né?! Estou muito surpreso. – Olly riu e eu a enchi de cócegas. Sua risada era mágica, muito contagiante. Recompomos-nos e voltamos a desenhar. Infelizmente o desenho da angelical estava todo molhado. Porem eu, como bom irmão, dei o meu para ela. Dessa vez ela continuou meu desenho e tentou me desenhar encima do cavalo. Não ficou bom, mas admito que minha caricatura ficou muito divertida.

Eu ainda estava querendo saber por que ela havia chorado daquele jeito e atrevi-me a lhe perguntar.

– Então amor – só mais um novo apelido – porque você entrou em prantos? – Ollivia me olhou com uma carinha de dúvida.

– O que é prantos? – havia esquecido que ela só tinha oito anos, não era letrada.

– Prantos é a mesma coisa que chorar muito – finalmente ela entendeu, mas não me respondeu de imediato. Ficamos um bom tempo em silencio. Nesse tempo, dava para escutar o som do grafite colorido lixar a folha de papel para tornar o desenho em cores. A brisa da noite entrava pelo seu quarto. Estava ficando gelado. Levantei-me e fui fechar as janelas, antes que a menina ficasse doente.

Voltei devagar até a mesinha onde estávamos desenhando, só para garantir que ela terminasse de pensar para me responder. Sentei-me do seu lado novamente. Peguei outra folha e recomecei meu desenho. Peguei um lápis 2B e comecei a rascunhar.

Meu lápis dançava sobre a folha branca, tornando os brutos traços em forma humana; um corpo suave e cheio de curvas, um corpo feminino. Adorava desenhar animais e mulheres; sabe? Coisas que eu gosto.

Ollivia deu uma suspirada profunda.

– Você está com fome? – já fazia um bom tempo que estávamos ali, não custava perguntar.

– Um pouquinho…

– Hum… Quer que eu busque uns cookies com leite? – a menina que cheirava flores teve seu rosto reluzido e rapidamente assentiu – já volto! Vou buscar um montão! – Olly riu-se.

Saí correndo do quarto, desci como nunca as escadas e cheguei ofegante à cozinha. Jacoh estava lá. Entrei quieto para não o assustar, mas não teve outro jeito. O garoto semi-gótico fez a mesma expressão de sempre, como se eu o enojasse, e foi embora. Eu realmente não sabia como uma menina, ou melhor, como uma família tão simpática e cheia de amor poderia ter um filho igual ao Jacoh, era realmente impressionante. Eu me mordia de raiva para não falar alguma coisa que não devia. Ele realmente era insuportável.

Bom, fora o encontro desastroso com o menino que não gostava de mim com todas as suas forças, deu tudo certo. Peguei os cookies e um copo de leite grande e subi.

Ollivia estava linda como sempre desenhando, em japonês existe uma gíria para coisas fofinhas ou sexy tradicional como no caso de empregadas, princesas, coisas com orelhinha, entre outras coisas. Ollivia era fofinha logo, moe, a tal gíria. Eu sabia disso porque eu tinha um quarto irmão, quase da minha idade e que gosta muito de coisas do Japão.

A garotinha sentiu o cheiro das gotas de chocolate, do leite e voltou-se direto para mim, ou, para a bandeja. Coloquei do lado dela e diretamente sua mãozinha pegou dois ou três cookies; fiquei admirado de ver como ela realmente gostava daqueles biscoitinhos.

Enquanto os devorava alegremente, ousei em lhe perguntar, ou relembrar a pergunta.

– Então Ollivia, por que você chorou?

Minha irmãzinha fungou.

– É que… – interrompeu-se – É que seu coração é bom Lu…

– Como?! – como assim meu coração é bom? Como ela podia saber disso?

– Eu já disse! – Ollivia estava carrancuda novamente, era o sinal para parar e curtir o resto da noite.

Bom, mais duvidas surgiram. Duvida numero um: Jacoh me odiava e eu não sabia o motivo; duvida numero dois: Ollivia, por incrível que pareça, fez uma leitura de meus sentimentos e eu não sabia como; duvida numero três: Summer não pode namorar sua amiga, por motivos que eu não sei. As únicas certezas eram: Meus pais adotivos eram legais e cheios de amor. Com isso bastava a aventura.

Ollivia já bocejava e coçava os olhos quando paramos de desenhar. Coloquei-a na cama e cantei-lhe a canção de ninar do filme. Meu anjo rapidamente dormiu. Fiz um carinho rápido e lhe dei um beijo na bochecha; sua pele era quentinha e cheirosa. Antes de sair, ascendi à luz do abajur.

Ao sair, acabei trombando com alguém que carregava um liquido quente.

– RETARDADO! – praguejava Jacoh – Olha por onde anda!

– Desculpa…

– NÃO HÁ PERDÃO! Por que você não volta pra sua terrinha?! – ele parecia muito exaltado, mas não podia responder a altura

– Eu não posso agora, tenho que aprimorar meu inglês… – foi o que consegui retrucar

– IDIOTA! Agora vou ter que fazer outro chá!

– Eu te ajudo. – me ofereci

– Eu sei fazer sozinho, não preciso da ajuda de suas mãos sujas. – era a primeira vez que vira Jacoh falar tanto e com muita fúria em cada palavra.

Nesse momento Summer abriu a aporta do quarto.

– Jacoh para com isso! – advertiu Summer

– EU NÃO VOU PARAR!

– Está tudo bem Summer – eu disse

Enquanto eles continuavam a trocar insultos, um em minha defesa e outro contra mim em todos os sentidos. Ouvi passos subindo as escadas. Subitamente o senhor Watson surgiu.

– Chega! – disse calmamente

– É culpa dele! – Jacoh apontou pra mim

– Eu não quero mais saber. Se vocês não pararem com isso. Vou colocá-lo no seu quarto. – Jacoh pareceu horrorizado e logo se aquietou. Olhou pra mim furiosamente com seus olhos verdes e desceu as escadas para preparar outra xícara de chá.

– Quero que você ajude seu irmão a limpar essa bagunça. – Summer assentiu e foi lá em baixo pegar um pano. Meu novo pai desceu também.

Eu e meu irmão com cheiro de praia limpamos o corredor e fomos para o quarto.

Contei para Summer o quanto Jacoh era dramático e contei só um pouquinho de como me sentia, era péssimo para falar de mim mesmo. O quarto estava um pouco abafado e pedi para que meu irmão de olhos mistos abrisse a janela. O efeito foi instantâneo. A brisa levou embora todo o ar quente do quarto e me senti muito melhor. Troquei de roupa, por uma mais confortável para dormir. Summer se deitava de cueca, sempre. Odiava ficar de roupa em casa, mas apesar disso ele era bem educadinho e ficava só com roupa de baixo para dormir o resto do dia ele seguia as regras da humanidade. Ele logo dormiu.

Naquela noite tive novamente um sonho louco.

Eu estava na mesma cidade, novamente eu não estava sozinho, o garoto ensolarado pairava nas alturas, fazendo com que eu me distraísse e não ligasse para as vozes. Ao meu lado havia uma garota com enormes asas brancas com pontas rosadas. Ela estendeu a mão e tocou meu peito. Senti uma enorme paz e tranqüilidade. A garota estava com venda nos olhos, mas seus cabelos eram dourados, quase como fios de puro ouro. Ela baixou minha cabeça e me beijou nos lábios. Na mesma hora ela tirava de minha boca outros lábios que não os meus. Ela beijou minha sombra, e as mãos da sombra sorriam malignamente.

A garota estendeu as asas entre mim e a sombra viva.

O garoto de trevas transformou-se em outra silhueta, bem maior e com asas de pássaro, carregava uma foi foice diferente, não sabia se era realmente uma foice ou outra coisa. A sombra investiu. Acordei.

 

CAP.00

PREFACIO

Eu sou tudo o que o mundo não busca, mas também sou tudo o que ele tem.

Eu sou a ruina das vidas, a perda de algo querido e o principio de toda auto destruição.

Sei que me conhece muito bem, pois estou sempre ao seu lado, mas mesmo não precisando me apresentar, eu lhe darei uma luz, apesar de não gostar muito dela…

Bom, eu sou o irmão da alegria, aquilo que você tanto persegue,  e da raiva, aquele sentimento que te domina quando nada sai como o esperado.  Tenho um nome proprio, divino, mas prefiro meu apelido, tristeza. Eu disse que já era um conhecido seu.

Nem sempre eu existi. Tenho um pai e uma mãe, do mesmo jeito que você.  A única diferença é que eu sou divino e faço o que eu bem entender com sua mera vida humana.

Isso é só um prefacio, um momento de reflexão e um pouquinho do que virá.

Mudança de planos

CAP. 21

O soldado sai da região das doze casas e procura por Castor de Triangulo (que estava na casa de Gêmeos não pode vir) e Helena de Taça (que se encontrava ao oeste do santuario). No caminho Pallas de Andrômeda o para e pergunta o que está havendo; ele responde que houve um ataque num vilarejo próximo e está procurando por dois cavaleiros de prata sugeridos por Pollux de Gêmeos. Pallas diz que vai ao encontro deste ataque, pois fica na região em que ela foi destinada a proteger. O soldado tenta discutir, mas Andrômeda diz que está tudo bem, ela pode dar conta.

No caminho a Amazona encontra Alpha e Pyro; os dois se juntam a guerreira e vão para a verificação do lugar.

Chegando lá, o pequeno vilarejo estava todo destruído, parecia que os atacantes não estavam mais lá. A corrente de Pallas ficou agitada “Temporal Chain!” exclamou a guerreira; a corrente deu voltas, mas conseguiu cercar os dois inimigos presentes. Graea de Griphoner e Moogle de Dagger. “Parabéns. Para uma cavaleira de bronze, você é muito boa…” disse a montaria. Alpha usou seu ataque Pegasus Ryu Sei-Ken em ambos, mas foi falho… Os dois já haviam saído da posse da corrente de Pallas. Graea Aparece atrás dos cavaleiros de bronze e diz que aquilo era só uma ilusão, ele voa e Moogle avança para cima dos bronzeados. “Iron Defense” diz a amazona, suas correntes saem da terra e se enrolam formando um escudo maciço de aço e suspenso; ele sumiu e apareceu nas costas dos cavaleiros. Pyro de Fornalha virou-se por um instante, mas já era tarde “Cosmo Crush”, o cavaleiro de fogo sentiu sua vida se desprender se si e caiu tonto no chão. “Circular Defense” disse Pallas quando viu um de seus companheiros no chão.

Era hora deles bolarem um plano. “Vocês não podem ficar ai pra sempre…” disse Moogle aos cavaleiros.

Após alguns minutos os bronzeados decidiram que Pegasus e Fornalha iriam batalhar contra Dagger e a amazona de Andrômeda contra Griphoner.

 

 

 

Alerta Geral

CAP. 20

 

Já se passaram quase uma hora que a reunião zodiacal começou.

No lugar dos doze cavaleiros dourados que protegiam as casas do zodíaco, ficaram no lugar cavaleiros com igual poder ou discípulos sendo eles somente aspirantes ou cavaleiros formados.

Segue a lista:

Casa de Áries – Hoshi de Sextante;

Casa de Touro – Ox de Boiadeiro, Maia e Iasion (Aspirantes a cavaleiros);

Casa de Gêmeos – Castor de Triangulo;

Casa de Câncer – Ker, Átropos e Hyugata (Aspirantes a cavaleiros);

Casa de Leão – Hebe de Serpentário e Brontes (Aspirante a cavaleiro);

Casa de Virgem – Ashura de Pavão, Ho-oh e Alekto (Aspirantes a cavaleiro);

Casa de Libra – Syang e Lee (Aspirantes a cavaleiro);

Casa de Escorpião – Antares (Aspirante a cavaleiro);

Casa de Sagitário – Ekkus de Cavalo menor;

Casa de Capricórnio – Barcelona (Aspirante a cavaleiro);

Casa de Aquário – Ártico de Coroa Boreal;

Casa de Peixes – Vênus de Lagarto e Cupido (Aspirante a cavaleiro).

Qualquer coisa que invadisse o santuário e não fosse detido por algum cavaleiro que estivesse de guarda:

Listados abaixo:

Sul do Santuário – Pallas de Andrômeda, Alpha de Pegasus, Pyro de Fornalha e soldados;

Norte do Santuário – Robin de Flecha, Kheiron de Centauro, Saulo de Buril e soldados;

Oeste do Santuario – Helena de Taça, Nemeia de Leão Menor, Cane de Lobo e soldados;

Leste do Santuario – Atalanta de Águia, Renna de Raposa, Ophidae de Serpente e soldados.

Iria tentar chegar a Athena pelas casas zodiacais.

O fogo da primeira casa se apagou…

 

Nº04

“Temperamento”

 

Creio que em minhas veias corre um poderoso fel.

Um sangue de rancor, cheio de uma estranha dor.

Sei que a qualquer hora eu posso explodir.

Sou como uma caixa de pandora clamando: me abra!

Meu nome é fleumatico…

E se você me perguntar, eu não vou te responder.

Eu sou amante da maldade

E em mim só há crueldade

E só um pode me restaurar

 

Daqui em diante

Tu és meu Comandante

E vou sem medo e sem duvidar

Por uma resposta:

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Tu és meu Salvador!

Tu és meu comandante… Anseio por uma resposta!

 

Dos meus olhos se vê o inverso de uma alma.

Enchergo muitas coisas e guardo só as ruins.

Sei que a qualquer hora eu posso me deprimir.

Eu sou como um rio de tristeza calada em mim mesmo.

Meu nome é melancolico…

E se você me incomodar, eu vou comentar sobre você.

Eu sou prisioneiro de minh’alma

E eu vivo escondido numa mascara

E só um pode me restaurar

 

Daqui em diante

Tu és meu Comandante

E vou sem medo e sem duvidar

Por uma resposta:

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Tu és meu Salvador!

 

Misturando tudo, eu odeio você

Mas não vou falar, eu vou comentar

E se você descobrir, eu vou explodir

Vou guardar só pra mim

E eu posso até chorar

Me liberta!

 

Daqui em diante

Tu és meu Comandante

E vou sem medo e sem duvidar

Por uma resposta:

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Tu és meu Salvador!

Tu és meu comandante… Anseio por uma resposta!

 

 

Sei que minha força vem do meu próprio suor.

Um poder destruidor que se transforma em plena dor

Sei que a qualquer hora eu posso me irritar

Sou como uma cidade fantasma, com uma torre bem alta

Meu nome é colerico

E se você me estressar, eu vou quebrar tua cara

Eu nasci da vingança

E meu irmão é o orgulho

E só um pode me restaurar

 

Daqui em diante

Tu és meu Comandante

E vou sem medo e sem duvidar

Por uma resposta:

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Tu és meu Salvador!

Tu és meu comandante… Anseio por uma resposta!

 

Da minha alegria, posso tirar ruinas sem fim.

Eu vou começar, mas acho que não vou terminar.

Sei que a qualquer hora eu posso repentinamente mudar.

Eu sou como um avião em total turbulencia.

Meu nome é Sanguineo

E se você me enganar, eu posso realmente te matar.

Eu tenho um pacto com a lascivia

E eu moro com o egoismo

E só um pode me restaurar

 

Daqui em diante

Tu és meu Comandante

E vou sem medo e sem duvidar

Por uma resposta:

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Tu és meu Salvador!

 

Misturando tudo, eu detesto você

E vou falar na sua cara com certeza

E se agente brigar, eu vou pra cima

E eu vou ganhar

Sou loco e o que que tem?

Me liberta!

 

 

Daqui em diante

Tu és meu Comandante

E vou sem medo e sem duvidar

Por uma resposta:

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Agora te ordeno clama: Deus! Me livra de mim mesmo

Tu és meu Salvador!

Tu és meu comandante… Anseio por uma resposta!

Lunatto

CAP.03

3. TITÃS

– Finalmente você acordou – ouvi uma voz ecoar em meus ouvidos – demorou, mas você conseguiu. – conclui que a voz parecia ser do Senhor Watson.

Abri meus olhos e vi que não era só ele, mas também a senhora Anna, Summer, por incrível que pareça Jacoh e Olly. Eu estava no quarto de casa mesmo. Havia o café da manhã ao meu lado; uma bandeja com torradas cheias de geléia e manteiga derretida, um copo grande de suco de laranja, cereal com leite, e outras coisas como bolo e frutas.

– Se sente bem querido? – disse minha nova mãe como se eu ainda estivesse prestes a sucumbir de dor de cabeça novamente. Assenti suavemente, mas ao mesmo tempo confiante para lhe assegurar que eu realmente estava passando bem.

– Vem querida, vamos deixá-lo descansar mais um pouco. Summer você vai ficar com ele hoje e o resto de vocês vai para escola, certo?

O senhor e a senhora Watson saíram do quarto chamando a pequena Ollivia junto. Ela me deu um tchauzinho simpático e um sorriso caloroso que me fez ganhar o dia como sempre fazia e foi-se com seus pais. Jacoh me olhou de canto, fez um sinal de positivo e também se foi. Ficou eu, meu super café da manhã e meu amigo e irmão Summer.

Comecei a comer um pedaço de bolo mármore tipicamente inglês, estava uma delícia, enquanto Summer me olhava e analisava com um quê de como-ele-sobreviveu. Eu achei muito estranho e lhe perguntei com uma cara de poucos amigos:

– O que foi?

– Hum… Nada não… – respondeu-me com um ar de quero muito lhe perguntar algo, mas não sei se realmente importa. Finalmente ele semicerrou os olhos, fitou-me profundamente e perguntou.

– Você não se lembra de nada?

Juntei os lábios com meia força, fiz um bico de lado com um combo de olhos expressando duvida e tentando meio que se lembrar de alguma coisa das ultimas horas ou dias – Não me lembro de nada não… – dei uma pausa breve – Hum… Fiquei dormindo por…?

– Ah! – interrompeu-me – de ontem pra hoje. Não foi muito tempo…

Ele parecia que ia continuar, mas parou no processo. Também não iria adiantar nada me perguntar alguma coisa já que eu não se lembrava de nada mesmo. Olhei para cômoda e lá se encontrava um pedaço de papel todo pintado. Peguei-o e vi que era um dos vários desenhos que Olly estava pintando; nele havia um homenzinho no centro e umas coisas flutuando em volta, não sabia que a princesinha gostasse de desenhar coisas assim, geralmente meninas gostam de pintar casinhas e a família, coisas desse tipo.

– Me deixaeu ver? – perguntou Summer estendendo a mão para pegar o desenho de mim. Entreguei-o. Ele analisou limpando a garganta num tempo suficiente de eu dar um gole no suco de laranja. – Sabe Luidge… – continuou ele meio vago nas idéias deixando o desenho de lado – estive pensando comigo mesmo… – ele olhou para de baixo da cama como se evitasse me olhar diretamente, ele deu uma corada de leve e voltou a falar algo – Acho que seria bom se nós, hum… Como posso dizer… Aprofundássemos nossa relação.

Fiz uma careta um tanto indiscreta pra ele. A proposta dele soara um pouco estranha demais para meu gosto e creio que ele percebeu o sentido em que eu tinha entendido e tentou reformular a proposta.

– Me deixa explicar direito… – começou – já que seremos irmãos durante sei lá quanto tempo. Creio que seria bom se nossa amizade ganhasse força. Só isso. O que me diz?

Peguei uma torrada embebida em geléia e manteiga e dei uma dentada. Assenti com a cabeça de leve.

– Eu gosto de verde. – afirmei. Summer entendeu o que eu fizera e um sorriso caloroso brotou de seus lábios.

– Eu prefiro laranja e não gosto muito de ler.

– Gosto muito de ler o que acho interessante. Principalmente se for temas relacionados à mitologia grega.

– Essa é a única coisa que gosto de ler – corrigiu-se – Principalmente sobre os poderosos Titãs.

– São muito legais mesmo – encorajei – você sabe o nome de todos? – perguntei algo que eu sabia, pois havia estudado aparte por curiosidade.

– Só sei Cronos, Rheia, Oceano e Hyperion.

– Hum… São doze na verdade. Cada um extremamente poderoso, logo que os Titãs representam a força bruta da natureza.

Summer me olhou como se estivesse realmente prestando muita atenção; já o vira assim e posso afirmar que ele estava muito mais concentrado em minhas palavras sobre os Titãs do que na aula de História.

– E ai me conta como é ser o filho mais velho?

– Não é lá grande coisa… – respondeu ele dando de ombros e desabando em sua cama – conta mais sobre os Titãs. Fiquei curioso.

Mitologia grega não era lá muito divertida de se falar, principalmente com Summer que era todo atlético e inteligente.

– É sério mesmo? – perguntei boquiaberto

– É. Continua. – insistiu.

– O.k. – dei mais um gole no maravilhoso suco de laranja e peguei um bolo para me acompanhar na jornada de vida dos Titãs. – hum… É o seguinte: os Titãs são filhos do Céu com a Terra, ou seja, gigantes dotados de ilimitado poder. – Summer assentiu com a cabeça, me dizendo que estava me acompanhando. – Eles, os Titãs, lutaram contra seu pai Uranos para livra a mãe Terra Gaia da escravidão sexual que ele havia estabelecido…

– Agora você pegou pesado não foi? – disse-me o garoto ensolarado perplexo com o que eu acabara de dizer.

– O que foi que eu disse?

– “Escravidão sexual” – ele fez uma imitação tosca de minha voz – Essa parte você inventou, confessa!

– O.k. eu gosto de ver as coisas de um angulo diferente só isso, mas não mudei o conto por causa disso. – defendi minha posição. Summer balançou a cabeça dizendo-me que continuasse. – Hum… Se você não me interromper.

– Está bem, eu não falo mais nada.

– Continuando. Cronos cortou a pênis de seu pai e o atirou pra bem longe e separou o céu da Terra. Neste momento Urano amaldiçoou Cronos dizendo que o filho dele iria destroná-lo. – respirei um pouco para pensar. Summer olhava para parede enquanto sua cabeça pousava em seus braços cruzados e seus pés balançavam. Continuei – Ai, Cronos casou-se com sua irmã Rheia. Porem ele ficou com tanto medo da profecia que comeu todos os filhos que teve com sua esposa menos um que foi Zeus, esse o destronou e tornou-se rei dos deuses e deu inicio a “titanomaquia” a guerra entre Titãs e deuses olimpianos. Fim.

Summer olhou pra mim com seus olhos azuis tingidos de pigmentos alaranjados. Eles me olhavam profundamente querendo mais de minhas informações, desejando que eu lhes contasse algo realmente importante que eu não dissera ainda. Eu particularmente já havia dito tudo. Tentei vasculhar minha mente para ver se havia realmente algo que faltava, mas nada achei. Summer levantou-se despreocupadamente, espreguiçou-se levantando os braços para o ar.

– Hum… Você não me disse os nomes deles ainda…

Era algo que eu havia esquecido como pude esquecer algo tão simples. – Ixi! Esqueci! Desculpa!

– Tudo bem, ainda não acabou o dia, temos a manhã toda e a tarde, talvez noite.

– Pois é né… – suspirei – então, como prometi, o nome dos doze Titãs são… – tomei um gole de chá de menta com chocolate, uma delicia por sinal – Cronos, Hyperion, Iapetus, Koios, Crios, Oceano, Rheia, Theia, Mnemosyne, Phoibe, Themis e Tethys.

Summer me olhou com uma cara maravilhada com minha lista de nomes fantásticos dos Titãs e Titânides que ele não conhecia.

– E… – começou a comentar – Eles representam quais forças brutas da natureza? –  pensei que íamos falar sobre outra coisa agora. Já havia falado tudo o que realmente era importante, mas o ensolarado sempre queria mais e obviamente eu tinha em minhas mãos as respostas que ele queria, logo, eu respondi.

– Cronos o senhor do tempo, sua esposa Rheia a maternidade pura. Hyperion é aquele que tem o poder de determinar os dias, ele é o Sol primitivo, o crepúsculo, o horizonte e sua esposa Theia o vasto céu azul. – Summer boquiaberto pelas informações que eu lhe dava pedia por mais em suas intenções – Oceano representa às poderosas correntes marinhas dos oceanos e sua esposa irmã, Tethys, a cura e a fertilidade aquática. Koios é a pura inteligência, sabedoria e é o pilar do paraíso e sua mulher Phoibe representa brilhantes idéias além de ser o oráculo dos Titãs. Crios representa as forças da liderança e tem o poder de formar ou destruir constelações. O Titã estelar, Iapetus é a mortalidade, a destruição de toda raça humana. Mnemosyne tem o poder de armazenar memórias e recordações, tanto de pessoas como de civilizações inteiras e por ultimo, mas não menos importante Themis, a justiça plena e sem rococós.

Summer admirado soltou um suspiro que claramente dizia: Você é muito bom nesse negócio de mitologia. O Sol iluminava o quarto e o garoto a minha frente resplandecia como Apolo. Coraline tinha razão, não queria admitir, mas meu irmão é muito bonito mesmo.

– Deixa eu te perguntar… – disse Summer especulando coisas – E, se os deuses realmente existissem?

– Isso foi uma pergunta? – não tinha cara de pergunta, parecia mais uma afirmação doida sobre o assunto fantástico mitológico, uma loucura só.

– É. Isso foi uma pergunta. – respondeu o ensolarado com os olhos semicerrados.

– Hum… Sei lá. Creio que ia ser muito legal. E você o que acha de tudo isso?

– Também acharia muito bom se realmente existissem.

– Mais alguma coisa? – Ele estava com uma carinha de que queria acrescentar mais alguma coisa naquele papo louco que estávamos tendo.

– E se… – começou – os deuses fossem… Tipo uma espécie de pessoas com poderes, como os X-men?

– Nossa que loucura. Você acha mesmo?!

– Não sei. Quero sua opinião.

Summer era muito doido mesmo, olha o que ele me perguntou. Cocei a cabeça, o queixo, pisquei desengonçadamente revirei os olhos e ele lá, esperando que eu o respondesse. Eu sabia que talvez fosse possível, mas… Eu arisquei e falei para ele algo muito importante.

– É o seguinte, não quero que você fale para ninguém o.k.?! – Summer assentiu e se aproximou de mim sentando ao pé da minha cama – É o seguinte, aquela dor de cabeça que eu tive ontem; já tive antes, mas foi um pouco diferente. Da outra vez que fiquei assim, eu escutei vozes, como se todo o planta estivesse conectado a mim. Ai eu entrei em coma por um mês. Meus pais ficaram abalados e temeram por minha segurança. Acho que eu sou um pouco diferente do considerável ser humano e, sim, eu acharia maravilhoso se os deuses fossem anomalias genéticas como os X-men.

Meu irmão estava me olhando seriamente e por um minuto eu achei que ele acreditasse em mim. Ele colocou a mão na boca e explodiu em gargalhada. Fiquei furioso.

– Como você é sem graça né! Nunca mais te conto nada.

Vê se pode um retardado rindo de mim. Ele que começou com o papo de deuses e mutantes, como se houvesse uma ligação muito próxima. Eu me abro com ele sobre minhas experiências e ele cai em gargalhada. “Nunca mais!” pensei comigo finalizando meu glorioso e longo café da manhã.

– Perdão. Não agüentei. Só perguntei por perguntar… hahahahaha! – desculpou-se e continuou a rir. Realmente ele era um retardado.

– Você poderia ter ido pra escola e me deixado em paz, seu cretino!

– Como você é mal.

Ficamos sérios por um instante, mas não consegui permanecer bravo com Summer e começamos a rir novamente. Era muito fácil me divertir com ele apesar de tudo. Enquanto Olly parecia meu irmãozinho, Summer lembrava minha irmã mais velha. Apesar de ela ser muitos anos mais velha que eu, sempre me faz rir de qualquer coisa, mesmo quando ela me deixa muito irritado, ela consegue extrair de mim uma risada sincera. Fiquei com saudades naquele momento.

Nós falamos horas a fio sobre diversas coisas, como por exemplo: Garotas. Descobri que alem dele ter uma paixão por Flies, ele gostava de garotas de olhos exóticos e de preferência com cabelos da cor dos de sua mãe. Perguntei sobre seus olhos e ele me explicou que ele muda de azul para laranja na claridade ou quando estão cheios de água, achei muito legal. Ele pratica esportes só porque seu pai gosta. Perguntei também sobre Jacoh e ele me disse que desde pequeno ele é assim fechado e com cara de poucos amigos. Ele também acrescentou que quando eram mais novos, eles viviam viajando pelo país; só agora que sossegaram. Conversa vai, conversa vem.

Summer voltou a deitar-se em sua cama. Era quase meio dia e o Sol começou a ficar mais forte e o quarto bem mais quente e o cheiro de praia e protetor solar voltaram a dominar o quarto. Nunca tinha ficado no quarto ao meio dia, e descobri que não ficaria mais, era insuportável. Sempre voltava quando o Sol já estava indo embora, logo não tinha como saber que o quarto parecia o inferno na terra. Levantei-me e fui ao banheiro. Estava muito apertado, depois de tanto suco de laranja e chá já era de se esperar que minha bexiga ficasse cheia.

Fui até o banheiro, esvaziei-me da urina que meus rins criaram e o som dela ao chegar à água do vazo sanitário me fez relaxar um pouco. Aproveitei que estava no banheiro e resolvi tomar um banho para refrescar, o quarto estava muito quente. Tirei minha roupa e a coloquei de canto, junto com as roupas sujas. Abri o box, alias o banheiro era muito grande comparado com o da minha casa. Abri o registro do chuveiro e deixei a água morna lavar-me. Enquanto era massageado pelas gordas e repetidas gotas de água, refletia sobre minha própria vida, e sobre o que Summer havia comentado, sobre deuses serem mutantes… Era duro de encarar, mas eu tinha de certa forma poderes especiais pelo menos é por isso que eu fugi de casa. Fugi para a proteção de minha família, tinha certeza do que eu era: um esquisitão completo e não iria por minha amada família nesse jogo. Peguei o sabonete, levei-o ao meu nariz e senti o aroma de chocolate vendo dele, era muito gostoso. Ensaboei-me devagar, lavando cada parte de meu corpo. Passei xampu nos meus cabelos, enxagüei e, deixei com que a água continuasse a cair por meu corpo por uns bons dez minutos. Desliguei o chuveiro lentamente. Logo senti a fumaça me cobrir e o ar quente me envolver. Peguei minha atoalha e sequei-me no box. Olhei no espelho, penteei o cabelo úmido, enrolei-me na toalha e sai do banheiro. A fumaça morna escapou junto comigo. Fui depressa para o quarto, pois não queria que a menina me visse de tolha, seria embaraçante tanto para mim quanto para ela. Ao chegar a meu quarto, senti uma onda forte de calor secar meu corpo. Minha toalha caiu e fiquei nu perante todo aquele mormaço que reinava. Percebi que Summer não estava em sua cama. Não dei muita atenção. Fui até a janela a fim de fechá-la, eu estava nu no quarto e não queria que algum vizinho bisbilhoteiro me visse dando sopa; o Sol estava muito quente. Vesti minha cueca preferida, uma vermelha, não sei se um cara pode ter uma cueca preferida, bom, eu tenho. Vesti um short, e uma camiseta branca, ótima para dissipar calor. Passei desodorante, daqueles aerossóis. Desci as escadas. Não achei meu irmão na sala e nem na cozinha. Minha nova mãe estava lá e Jacoh também. Ele tava tomando um suco, parecia uva, e Anna estava começando o almoço.

– já levantou? – disse mamãe – Ainda é cedo. Você já está melhor?

Balancei a cabeça positivamente.

– Hã…?! – me dirigindo à Jacoh – Você viu Summer?

Jacoh olhou pra mim com uma cara de não-fala-comigo, virou o suco goela abaixo e subiu para seu quarto.

– Eu pedi para ele ir ao mercado – disse-me Anna

– pensei que era pra ele ficar comigo – comecei – eu nem ia sair do quarto hoje, mas está muito quente, aqui em baixo é mais fresquinho.

Minha nova mãe balançou a cabeça positivamente enquanto cortava cenouras para uma salada.

– Daqui a pouco ele está de volta, não se preocupe querido.

– Tudo bem. Vou procura a Olly.

– Ela está na escola – ela olhou pra mim com uma cara de dó – vê um pouco de TV, aposto que lá no Brasil você assistia pra distração.

Assenti e aceitei o conselho. Fui pelo corredor até a sala de TV, onde havia sido o ocorrido. Era do que eu me lembrava; de uma dor de cabeça na sala de TV. Acomodei-me no sofá, ou seja, deitei-me e liguei o televisor. Coloquei num canal de cultura, exemplo: Discovery Channel e deixei-me guiar na programação. Acabei adormecendo.

Tive um sonho muito louco. Começou comigo no meio da cidade. Desta vez eu não estava sozinho havia um garoto ensolarado, não dava pra ver seu rosto, ele literalmente estava em chamas e passava muito bem abrigado. Comecei a sentir novamente uma dor de cabeça, mas logo percebi que o Sol pairava sobre minha cabeça e a futura dor que eu iria sentir em meu sonho repetido de certa forma se foi, pois eu estava tão distraído com o poder do Sol que me esqueci dela e das vozes de fundo. Olhei bem para aquele astro e percebi que o garoto de fogo estava no meio dele, e ele sorria. Estendeu-me a mão e eu acordei.

Summer estava me cutucando com suas mãos quentes quando despertei no sofá.

– Luidge! Vamos logo. O almoço está pronto! – dizia ele enquanto eu acordava. Dei um gemido, espreguicei e tentei falar alguma coisa que fazia sentido:

– Te procurei a manhã toda… Onde você estava?

Ele revirou os olhos e me respondeu – Eu tava no mercado comprando algumas coisas, agora levanta, você dormiu demais!

Levante-me com ajuda de Summer.

Ao chegarmos à cozinha, admirei uma mesa farta de comida. Havia um frango suculento bem no centro da mesa, decorado com alfaces, rodelas de tomate e cerejas, e tudo estava regado com uma calda especial. Havia uma salada de uvas verdes com presunto e maionese, parecia muito apetitosa. As cenouras que pensei que virariam salada tornaram-se um gigantesco suflê laranja. Os pratos estavam dispostos ao redor da enorme mesa retangular. Ollivia estava sorrindo pra mim e apontando para a cadeira ao lado dela. Fui e sentei-me onde ela pediu. O cheiro estava delicioso. À minha frente estava Jacoh com seu olhar enigmático cheios de mistério e indiferença. Ele de repente estava olhando para mim. Senti um calafrio e desviei os olhos rapidamente. Summer sentou-se ao lado dele. A senhora Watson estava na ponta entre mim e Jacoh. O senhor Watson na outra ponta. Oramos e degustamos do banquete.

Zodíaco

CAP.19

 

Após acordar, de tanto se esforçar na ultima batalha, Athena pediu a Karol convocar uma reunião com os dourados.

Estavam todos:

Bellier de Áries;

Leão de Touro;

Pollux de Gêmeos;

Herakles de Leão;

Os irmãos Áster de Virgem e Yon de Libra;

Electryon de Escorpião;

Bellerophon de Sagitário;

Madri de Capricórnio;

Nilo de Aquário;

E Narciso de peixes.

 

Quando chegou o ultimo dourado o relógio de fogo se acendeu e a reunião teve inicio.

Athena discutiu sobre o andamento da guerra e como estavam as tropas dela. Alguns dourados responderam que estava tudo indo muito bem, e que a deusa havia tido poucas perdas até o momento presente.

Athena também os alertou sobre os batalhões de Ares, que eram deuses capazes de transformar seus cosmos em incríveis exércitos inesgotáveis de contingente. Bellier disse que já havia visto dois deles, Phobos e Deimos. A deusa rebateu e disse que a quem o dourado de Áries havia visto eram Líderes muito mais fortes que os batalhões. Herakles por sua vez alertou Athena sobre Kydoimos a confusão. Athena lhe respondeu que esse era um dos batalhões e que não tivessem medo, pois agora ela tinha uma solução, o selo, graças aos esforços de Perséfone de Câncer.

A deusa deu a cada um dos dourados um selo; agora todos eram aptos a lutarem contra os deuses chamados de batalhões. Athena também deu a cada um de seu precioso cosmo dizendo que quando estivessem com dificuldades, usassem de um grande poder chamado Athena Exclamation, alertando também que este incrível poder somente poderá ser usado quando três deles se reunirem, deste modo poderão realizar um milagre.

A sala da reunião se abre e um soldado do santuário avisa que houve ataques nas redondezas. Aster de virgem alerta o soldado que nenhum dourado irá intervir durante doze horas e que chamasse um dos outros cavaleiros; Athena ficou pasma com a situação e tentou reclamar, porem Pollux de Gêmeos disse ao soldado para chamar Castor e Helena para tentar acalmar a situação. O Soldado se foi.

“Calma Athena, tudo vai ficar bem… Meus irmãos darão conta do recado.” disse Pollux.

A reunião continua e uma batalha paralela estava prestes a se iniciar.

Fôlego de esperança

CAP.18

Athena levantou-se, tirou a armadura divina e seu corpo nu, cheio de feridas da luta, estava exposto.

“Mate-me!” ordenou a deusa. Polioxis seguiu com o plano, derrubou os aspirantes que estavam protegendo a deusa, levantou seu braço direito e seu cosmo tomou forma…

Perséfone viu o que estava prestes a acontecer e pensou consigo – Não quero que Athena desista, quero que ela aprenda a suportar tudo numa guerra… Só há um jeito de eu ensina-la… Dar a minha vida para que ela contra-ataque e derrote Polioxis… Que minha vida torne-se puro poder e arranque a alma de Polioxis para dar esperança a Athena… “Sekishike Meikai Há!” Gritou à dourada num tom de esperança. No momento em que o golpe do deus iria acabar com a deusa guerreira, o exercito de impacto se desfez. Athena olhou que Polioxis estava paralisado e sua alma estava suspensa no ar, sendo segurada pelo espírito de Perséfone. “Agora Athena! Não deixe que nossa mestra morra em vão!” Alertou Ker.

Athena recuperou o foco e disse que agora estava acabado para Polioxis, que tudo iria terminar ali e agora. A deusa revestiu a armadura, retirou uns papeis que estavam guardados nela e os encheu com seu cosmo. Nisso seu nome apareceu tatuando os pedaços de papel. Ela os chamou de talismãs e afirmou que selaria a alma do deus inimigo. “Talisman Cage” foi o golpe usado pela deusa para selar a alma de Polioxis.

Ao acabar o selar o deus, a alma dele se transformou numa espada com um olho na parte que segura a lamina, e o talismã no centro dela, selando a alma do deus por tempo indeterminado.

A deusa desmaiou. Os aspirantes a cavaleiro levaram Athena e o corpo vitorioso de Perséfone para o santuário.

Armadura dos céus

CAP.17

Perséfone estava morta, Athena estava prestes a lutar contra Polioxis e os discípulos da dourada estavam presentes para testemunhar o que estava para começar.

A deusa possuía um cosmo digno de um dos deuses do Olímpio, era muito superior ao do filho de Ares. “Parabéns Athena, se eu a matar nesta forma, dê adeus as suas reencarnações na Terra.” Disse Polioxis. Athena riu-se e disse ao desafiante que isso nunca iria acontecer, pois como Ares, ela também era uma representante da guerra. A deusa clamou aos céus e uma armadura reluzente cobriu o corpo nu de Athena. A batalha iria começar a qualquer instante. O deus do contra-ataque começou. Lançou seu ataque Backrush Embrace sobre a deusa. Ela, por sua vez, apontou para seu escudo que se encontrava no lado esquerdo do corpo, como se quisesse dizer que sua investida não iria funcionar. E, realmente não funcionou. “Minha vez.” Declarou Athena. Ela avançou pra cima de Polioxis ferozmente. Ele riu da tentativa da deusa, pois ele tinha sua proteção. A garota divina posicionou seu báculo em posição de ataque e golpeou em cheio a parte central da armadura de Polioxis. Ele sangrou, a armadura divina se partiu; era quase impossível dele compreender. Athena lhe explicou que ela não era humana, logo a proteção divina do deus não iria funcionar. Ele ficou abismado, mas achou brilhante o poder de Athena.

Os discípulos da amazona de Câncer estavam com o corpo de Perséfone ainda vivo. Estavam assistindo a tudo, prestando atenção aos mínimos detalhes. Era tempo de ver a quem eles estavam dedicando suas vidas.

Athena posicionou novamente o báculo e avançou. O inimigo olhou para a deusa juntamente com os olhos de sua armadura e paralisou-a. Ela perdeu o fôlego por um instante. Polioxis levantou a mão e seu cosmo tornou-se visível e tomou forma de um grande exercito. “Adeus Athena… Polioxis Makhai!”. Por um instante Athena consegue se mover e coloca rapidamente seu grande escudo em sua frente. O exercito do contra-ataque explodiu de encontro à proteção da deusa. O poder do exercito do inimigo era muito maior do que a frágil força carnal de Athena.

“Até quando você ira suportar? Eu posso continuar a atacá-la durante o tempo que eu quiser, com mais ou menos impacto… destruí-la é uma questão de tempo…” disse Polioxis.

O escudo da deusa começa a sofrer pequenas rachaduras. “Adeus.” Declarou o deus inimigo. O exercito de Polioxis torna-se um grande fluido de cosmo e espatifa o escudo de Athena juntamente com o peitoral da armadura divina. A deusa guerreira estava no chão. Os discípulos interferiram a luta tentando protege-la. Polioxis achou patético e afirmou que os mandria para o inferno junto com Athena. Nesta hora Athena se levantou e seu cosmo tendeu ao infinito. “É minha vez de proteger vocês…” disse a deusa cheia de ternura e amor.

Polioxis riu-se e atacou-os novamente. Athena serviu de escudo para seus soldados.

No chão, a deusa olha para os olhos de Perséfone, serenos quase mortos; Falhei pensou Athena, disposta a desistir e deixar que a Terra seja destruída por Ares.