CAP.06

6. HORMÔNIOS

 

Era sábado. O Sol estava lindo no céu nublado (bom, adoro céu nublado).

O senhor Watson havia acordado mais cedo para fazer o café da manhã. A mesa não estava farta como de costume, mas ele cozinhava igual ou até melhor que minha nova mãe.

Jacoh sentou-se a minha frente, mas como sempre, nem olhou para mim, minto, Charles o fez forçar um sorriso; dei umas risadinhas simpáticas, mas Jacoh pareceu, ou melhor, parece não ligar para minha existência.

Após o café da manhã, fui estudar um pouco em meu quarto, tinha muita coisa atrasada ainda e, precisava adiantá-las, pois as provas logo chegam. Enquanto fazia uns exercícios do senhor Numberous, pensei em alguns motivos para Jacoh me detestar tanto. Talvez eu passasse muito tempo com Olly e isso estivesse afetando ele de alguma forma, ou talvez eu esteja tirando dele o que lhe sobrava de atenção, não sei ao certo.

Continue fazendo sem pressa os exercícios, eram muito complicados, mas nada muito especial, eu já havia tido essa matéria no Brasil.

Já havia passado quase duas horas de estudos, desci para beber água e comer algo.

Quando subi, passei em frente ao quarto de Jacoh e percebi que ele não estava no quarto, lembrei que nunca havia entrado no quarto dele. Olhei em volta e não vi sinal dele por perto e, decidi aventurar-me.

O quarto era bem iluminado, nada de muito diferente de um quarto adolescente normal. Pensei que ia ser bem diferente, tipo um quarto escuro com teias de aranha, uma cama em forma de caixão, sei lá.

Quando matei minha curiosidade, Jacoh aparece bem atrás de mim.

-Ai que susto! – gritei

– O que você faz aqui?  – me espantei com a calmaria dele. Sempre quando falava comigo, ou era em tom de deboche ou gritando, uma total loucura.

– Nada, só queria ver.

– Gostou do que viu? – mais uma pergunta estranha. Só balancei a cabeça positivamente.

Nesse momento eu me senti estranho, com frio na barriga. Jacoh avançou e eu recuei quarto adentro. Tropecei em sua mochila e fiquei caído junto a uma quina de parede. Comecei a suar frio.

Jacoh sentou-se em meu abdômen de pernas abertas. Achei muito estranho, mas meu corpo não conseguiu reagir. Algo estava me controlando e eu não sabia o que era.

Comecei a salivar continuamente. Meu fôlego não acompanhava meu respirar tranqüilo, agora ele seguia ritmos mais rápidos. Jacoh continuou em silencio e deitou sua testa na minha. Pude sentir sua testa fria na minha.

O menino emo passava a língua vagarosamente nos lábios. Isso estranhamente me deixava excitado, não era para eu estar assim. Uma força estranha em minha cabeça dizia para que eu o beijasse, mas não pude me mexer, e nem queria.

Jacoh avançava. agora seu nariz tocava o meu. Pude sentir sua respiração, quente, isso me deixava com mais excitação. Queria que essa situação logo acabasse, mas algo queria muito mais, e quando digo mais, realmente quero dizer mais.

Que loucura! Mas no que é que eu estou pensando?! Pare de pensar nisso Luidge, recobre o controle de seu corpo homem. Puxa como ele é sexy, olha esses olhos. Aff de novo, pois é meu amigo, eu não consigo mesmo me controlar, a única coisa que consegui fazer foi fechar meus olhos e deixar rolar.

Minha respiração estava ofegante e meu coração havia acelerado ainda mais, estava muito ansioso pelo o que iria acontecer, eu nunca havia beijado um garoto antes, acho que deve ser a mesma coisa, ou melhor, só um pouco mais estranho. Boca é tudo igual mesmo, umas com mais carne e outras com menos. Reabri os olhos e sua mão direita estava dedilhando meus lábios, enquanto sua mão esquerda puxava minha nuca para frente.

Até então Jacoh não havia me olhado diretamente nos olhos. Foi só eu pensar nisso que logo ele me deu uma fitada e pude ver que suas pupilas estavam brancas e seus olhos incrivelmente vermelhos.

– JACOH! PARE JÁ COM ISSO! – ordenou uma voz forte. Não reconheci na hora, pois alguma coisa também estava afetando meus sentidos. Sério todos eles. Vista embaçada, a pele formigando, a língua dormente, não estava conseguindo distinguir sons e, acho que meu faro estava normal, sei lá, tanto faz, faz tempo que não sinto cheiro de muita coisa.

Jacoh rapidamente se levantou e se afastou de mim. Por um momento pude ver de quem era a Voz. Charles, meu pai temporário aqui na Inglaterra.

Lembrei de relance do meu ultimo sonho. Jacoh estava sorrindo de forma maligna e seus olhos avermelhados me fitaram. Temi o pior.

Meu coração começou a acelerar, e uma onda de pressão bombardeou minha cabeça com dores fortes. Senti tudo embaçar, mas pude sentir que estava mais leve. Parecia não estar mais no chão, meio que flutuando.

As dores continuavam me afligindo percebi que a mobilha de Jacoh também estava suspensa junto comigo. Eu parecia estar gritando de dor, exclamando algo como pare ou me ajude, sei lá.

A voz do senhor Watson pareciam não surtir efeito, mas pude ouvir algo como “tente Pará-lo Jacoh”, mas o menino, ou pelo menos sua silhueta, estava paralisado diante de mim.

Quando pensei que estava parando, comecei a ouvir vozes muito alem do meu conhecimento, tipo:

“Aff! De novo esse episodio!?”

“… não acredito que você beijou o Felix!”

“… lembra daquele dia em que nós fomos lá ao lago e… Huhuhu…”

“Odeio esse filmes estrangeiro eles só me…”

“… o que foi que eu fiz…”

Outra onda de choque me acertou, eu caí no carpete do quarto de Jacoh e pude ver por um por um instante a parede rachando e as canetas do estojo de meu irmão novo e chato encravar na parede ao redor do mesmo, Jacoh.

Eu só podia estar louco, não era possível que estivesse voando por um momento, ouvindo vozes e fazendo as coisas racharem. Logo após, vi Jacoh sendo prensado na parede, ele gritava de dor, pedindo para que eu parasse, mas não pude, pois algo dentro de mim queria destroçá-lo.

Ele continuava a gritar:

– ME AJUDA PAI! – ele fazia uma cara de quem não agüentaria por muito tempo.  – O FAZ PARAR! – agora eu tinha certeza que estava o matando.

Charles se aproximou de mim, quando o olhei de relance, ele já não estava mais ali, uma onda de choque atingiu meu cérebro e o senhor Watson estava fora do quarto. A porta se fechou. Estava somente eu e Jacoh no quarto.

Eu não estava mais suportando a dor em minha cabeça e não agüentaria viver com uma família em que eu havia matado seu filho de uma maneira bruta.

O pai de Jacoh batia insistentemente na porta pedindo para que eu parasse.

Nisso, olhei mais uma vez para o rosto aterrorizado do garoto e observei que seu nariz sangrava. Desesperei-me.

– EU NÃO CONSIGO! – Finalmente eu juntei força e gritei rapidamente.

– Tente não pensar demais! – retrucou Charles, de forma firme e clara.

– NÃO ACHO QUE VAI DAR CERTO!

– SOCORRO! – gritava o garoto

– Você já está falando comigo é um bom sinal.

Tentei me concentrar em matemática, mas Jacoh continuava berrando de dor. Mas de forma mística adormeci. Simplesmente apaguei.

Quando acordei, Jacoh estava ao meu lado sentado num banquinho.

Ergui-me devagar, ele me ajudou. Seu semblante ainda era de um gatinho assustado, não era de se espantar, eu quase o matei.

– Oi… – disse o garoto timidamente, com a voz fraca e bem baixinha, quase um sussurro.

– Oi – respondi meio confuso, eu ainda não sabia quanto tempo eu estava apagado, ou se eu havia tido um sonho.  – É… – comecei – Bom… – não sabia o que falar para ele, alias Jacoh não gostava muito de mim, e eu ainda não tinha certeza de muita coisa. – Você…

– Desculpa! – Jacoh me interrompeu bruscamente. Fiquei espantado e rapidamente ergui minhas sobrancelhas e arregalei os olhos. Pisquei algumas vezes. Não era sempre que se ouvia a pessoa de Jacoh pedir desculpas. Pensei um pouco e resolvi balançar a cabeça positivamente, mas antes disso eu me atrevi a perguntar algo que estava me matando.

-Desculpar pelo o que?  O que exatamente aconteceu? – Jacoh revirou os olhos, baixando-os, deixando-os longe dos meus.

– Eu sem querer…  – iniciou – Ativei algo sem querer… Desculpa.

Hã?! Pensei comigo mesmo. O que ele havia ativado? Estava totalmente perdido.

– O que foi ativado?

– É… Você não sabe ainda né? – se eu soubesse não estaria perguntando, pensei, só pensei. Balancei a cabeça negativamente. – Eu não sei direito o que você é, mas… – agora eu sou alguma coisa, que interessante – algo que eu fiz, fez algo dentro de você acordar… – fitei o garoto descrente de tudo.

– E, o que você fez comigo naquela hora? – um assunto muito delicado.

– Bom, eu, é, você sabe, eu…

– Calma Jacoh. Explica devagar. – ele parecia muito nervoso e, eu convenientemente quis ajudá-lo.

– Eu queria lhe dar uma lição, mas eu não consegui

– Ai você…? – instiguei.

– Eu estimulei seus hormônios a meu favor. – Como? Pensei alto.

– Como?

– É difícil de explicar. Meu pai lhe explica depois.

Beleza. Ele havia estimulado meus hormônios a seu favor. Realmente muito místico. Fez um silencio, mas em minha mente eu continuava a pensar na estimulação de hormônios. O que levou ele a me estimular a seu favor. Será que deveria perguntar? Não sei. Agora depois do ocorrido, Jacoh Watson parecia um adolescente “normal”.

Fitei-o por um instante e vi que seus olhos estavam inchados de tanto lacrimejar e, que sua Iris estava mais clara, pois suas lagrimas haviam lavado seus olhos durante a tortura que lhe causei. Sua franja negra cobria parte de seu rosto como sempre.

Agora que o olhei melhor, Jacoh é bem bonito. Os três têm o mesmo tanto de beleza, não era pra menos, seus pais eram deuses gregos esculpidos em carne.

– Desculpa. – disse ao menino assustado com um sorriso simpático no rosto.

Ele virou-se para mim, balançou a cabeça de forma positiva e abriu um sorriso estonteante, igual ao de Ollivia. Fiquei surpreso, pensei que ele não possuía a capacidade de sorrir.

O silencio voltou novamente, mas me atrevi a quebrá-lo.

– Doeu? – Jacoh fitou o nada por um instante. Não demorou muito tempo. Ele balançou a cabeça devagar e piscou algumas vezes. – Eu não consegui parar, eu…

– Tudo bem… – disse o garoto olhando em meus olhos – Eu também fiz você sentir coisas contar sua vontade, então estamos quites.

– Beleza. Eu só tenho mais uma pergunta.

– Pode falar…

– Por que você me odeia tanto? – graças ao bom Deus eu perguntei isso. Estava formando um nó na minha cabaça ter que guardar essa duvida cruel. Finalmente vou saber a resposta.

– Hum… – Jacoh começou a pensar. Parecia uma eternidade. O que será que ele estava pensando? O garoto começou a mudar sua expressão. Ele bufou e tentou fugir. Eu rapidamente ergui meu braço e agarrei seu braço. – Calma. Eu não estou brigando com você. É uma pergunta amigável. Se não quiser me contar tudo bem.

Jacoh sentou-se novamente e respirou profundamente. Ficamos em silencio por um bom tempo.

– É por causa da Ollivia. – a voz do menino rompeu o constrangedor silencio.

– O que tem ela? – ousei perguntar.

– Sabe os anjos da guarda? – meu irmão emo estava à beira do delírio, agora eu tinha certeza de que ele é louco.

– Sei. – afirmei cético.

– Ollivia é o meu anjo. – morri. Jacoh é louco.

Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa a mais a Jacoh. O senhor Watson entrou em meu quarto e disse que queria falar comigo e, pediu para que seu filho fosse comer alguma coisa, para nos deixar sozinho.

Antes dele sair do quarto, atrevi-me a perguntá-lo algo que estava preso em minha garganta, depois de passar um bom tempo com ele:

– Jacoh! – chamei. O garoto parou do lado de fora da porta, e me olhou pelos ombros. – Amigos?

O menino emo virou o rosto para a saída, acenou com o polegar de forma positiva e fechou a porta.

 

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