Nº02

 

Nada sou sem Ti

 

Eu estou marchando…

Em direção ao Teu altar senhor!

E nada vai me impedir…

Mesmo se vencido eu vou prosseguir!

E se Tua mão eu não alcançar…

Tua força suprema me faz levantar!

E eu nada, nada, eu sou sem Ti Senhor!

 

Em minha caminhada, eu sigo em alerta

Pois quase qualquer coisa pode me tirar do caminho

E quando o dia escuresse, e não há promessa de um amanhecer

É por Ele que eu clamo, e um novo dia vai surgir

  

E se as trevas vierem a me perseguir

E finalmente me alcançar…

Eu me prosto,

e louvo,

e clamo…ao meu Salvador!

 

E

Eu estou marchando…

Em direção ao Teu altar senhor!

E nada vai me impedir…

Mesmo se vencido eu vou prosseguir!

E se Tua mão eu não alcançar…

Tua força suprema me faz levantar!

E eu nada, nada, eu sou sem Ti Senhor!

 

Eu vou prosseguindo…

Até que um dia eu alcance a Tua luz!

E nem mesmo a morte…

Pode me separar do Teu intenso amor!

E se um dia eu falhar…

Tua  misericordia me perdoará!

E eu nada, nada, eu sou sem Ti Senhor!

 …

 

By Lunatto

CAP.02

ESCOLA

Logo pela manhã, de segunda-feira, devia ser umas sete horas, Summer me sacudiu clamado para que eu acordasse. Eu resmunguei alguma coisa do tipo mais cinco minutos e ele disse:

– Temos aula hoje Luidge, é seu primeiro dia, vamos logo!

Eu demorei um pouco pra assimilar as palavras que ele havia dito, mas quando consegui digerir tudo aquilo eu saltei da cama. Escola. Tinha que ir a escola.

– Não vim pronto pra ir a escola?!  – disse surpreso.

Summer olhou-me com uma cara de espertinho, revirou os olhos e disse:

– Minha mãe já fez tudo:  matrícula na mesma série que eu, pois você tem dezessete igual a mim né? – assenti com a cabeça. – comprou o material, mochila e… Hum… O que falta mesmo?

– O uniforme…? – dá vasta lista que ele fizera, só faltava o uniforme ou a metralhadora, logo fiquei com a opção mais valida.

– Isso mesmo!

Ele foi até o armário, e tirou um paletó descolado vermelho e azul com as iniciais da escola, uma camisa branca também com as inicias no peito direito, uma gravata listrada de azul e vermelho, a calça azul e os sapatos pretos com detalhes em vermelho. “Ual” pensei comigo mesmo, vou para um casamento.

– Veste logo, temos que tomar café logo também e pegar o ônibus logo, bem logo!

-O. K. O.k.

Vesti o “uniforme” rapidamente, deixei a gravata pendurada sobre a gola, vesti os sapatos correndo, peguei minha mala, que mais parecia uma pasta executiva do que uma mala de escola, e desci as escadas num salto dei bom dia a todos e segui Summer porta afora.

– Boa aula meninos! – desejou a senhora Anna para todos nós.

Entramos no ônibus escolar, nunca havia entrado num antes, era bem comum na verdade.

– Oi… – disse ao motorista sem esperar uma resposta.

Sentei-me ao lado de Summer. Todos no ônibus me olhavam com cara de “quem é esse ai?”, não liguei muito, mas me incomodava um pouco. A viagem até a escola foi muito calorenta, ou era o ônibus que estava abafado e realmente muito quente ou Summer realmente tinha um sistema de liberação de calor muito espantoso, ele nem sequer suou ali dentro.

Chegando ao destino, escola, saímos do ônibus como de costume. Foi uma correria só. Segui Summer até a sala de aula. Entrei juntamente com ele e me sentei ao seu lado.

– Bom dia caros alunos! – disse o professor-sei-lá-o-nome. Ele tinha um porte atlético, esbanjava juventude, tinha o cabelo bem negro, dentes bem brancos. Percebi que algumas de minhas colegas de classe olhavam pra ele derretidas de amor, acho que devia ser seus olhos verdes vibrantes ou seus lábios carnudos, dava até vontade de beijá-los, como seria o gosto de…

– Hum… Creio que temos um aluno novo nessa classe…

– Tem mesmo professor Eros… – disse Summer alto o suficiente para me tirar do esquisito transe quase sexual pelo professor Eros – Levanta Luidge, apresente-se.

Revirei os olhos, suspirei e criei coragem para me levantar e falar pelo menos meu nome.

– Meu nome é Luidge Cavallete Heatsun, aluno de intercâmbio. – nem doeu, pensei comigo mesmo. Pude ouvir uns murmurinhos sobre eu ser de outro lugar do planeta.

– Muito prazer Luidge. Chamo-me Eros Sweetlovie e vou lecionar Literatura não só pra você, mas pro resto da turma. – assenti e me sentei. – Mais uma coisa senhor Luidge. De onde você é?

– Brasil… – Fiquei meio vermelho de vergonha, pensei que ele fosse perguntar algo sobre literatura; não que eu não gostasse de ler. Eu geralmente lia o que me interessava como livros de mitologia.

O senhor Eros começou a falar, falar e falar sobre assuntos que eu nem sabia sobre o que se tratavam.

– Ele é bonito né? – suspirou uma garota que sentava do meu lado.

– Eu quero pra mim amiga. – respondeu a outra.

Deu o sinal da aula dele e eu dei um grito mudo de alegria, não agüentava mais aquela aula e aquelas meninas com hormônios explodindo de um lado pro outro. Summer me pegou pelo braço e me arrastou até a próxima aula.

– A gente não tem uns minutinhos até a próxima aula? – perguntei.

– Tem, mas não agora, a próxima aula é longe dessa sala, temos que nos apressar.

Corremos sem parar, demos a volta por não sei aonde e por um milagre chegamos até o destino do horário. O bom é que Summer já sabia onde ficava os lugares, havia muito tempo que ele estudava aqui não era de se estranhar.

Chegamos a tempo. Desta vez eu não sentei perto do menino ensolarado. Sentei-me perto de uma garota de cabelos castanhos, pois não havia outro lugar na sala.

– Oi… – disse a garota, com os olhos excitados esperando que eu respondesse alguma coisa pra ela.

– Hum… Oi?!

– Me chamo Coraline…

– Aposto que não é só Coraline – interrompi bruscamente sua apresentação.

– Como você é grosso, eu ia chegar lá. – disse-me ela num tom mais alto.

– Perdão não queria parecer rude…

– É Coraline Krausterflies senhor Luidge-grosso.

– Já pedi desculpa… – fiz um beicinho que não gostaria de ter feito.

– Está perdoado seu bobo – afirmou ela – então… – continuou, sabia que ia ser sobre minha nacionalidade – você é mesmo do Brasil né?

– Sim…

– Hum… E como é lá?

– É um lugar bem bonito, você deveria conhecer – incentivei-a com minha “sabias” palavras.

– É, deveria… Você não está sendo o guia de viajem adequado.

– Depois eu sou grosso né?!

Ela me mostrou uma careta e voltou suas atenções para a aula de biologia que rolava.

Reparando melhor na minha colega de sala, além de ter um cabelo castanho como chocolate ao leite, possuía também incríveis olhos expressivos de uma coloração impar, violetas como o daquela atriz Elizabeth Taylor, tinha pele clara como a neve, lábios rubros e uma voz inimaginável, parecia passarinhos cantado na aurora do dia.

– Luidge?! – gritou o professor chamando minha atenção. Logo parei de olhá-la e voltei aparentemente minhas atenções ao professor. Minha mente estava deixando-se levar pelo sentimento de paixão de meu coração. É isso o que acontece depois e uma aula de literatura com um professor que se chamava exatamente paixão, o senhor Eros. Deu o sinal.

Summer me chamou para irmos até a próxima aula.

– Deixa que eu o levo Summer, vai dar tudo certo! – gritou Coraline para meu irmão substituto.

– Mas… – ele tremeu em suas palavras – meu pai pediu que…

– Calma, vai dar tudo certo prometo, ele vai chegar a tempo. – Coraline conseguiu acalmá-lo e ele saiu pela porta correndo – ele é sempre assim… – concluiu ela.

Enquanto caminhávamos até a próxima sala de aula, íamos conversando.

– Está gostando de Londres?

– Estamos em Londres? – perguntei surpreso, pois pensei que era uma cidadezinha chique de interior que eu não recordava o nome.

– Pois é meu amigo estamos. Bem vindo a capital.

– Obrigado. – parecia um burro perto dela, acho que meu rosto dizia que eu estava envergonhado com a minha estupidez.

– Mudando de assunto… – propôs Coraline com um ar de duvida, não sabia o que ela queria saber sobre mim, ou seja, lá o que fosse. – Como é morar com Summer?

Era isso, a menina mais bonita da escola, até então, gostava de meu companheiro de quarto que cheirava como um dia de verão. Não sabia o que dizer a ela, eu mal o conhecia.

– Eu só estou lá a dois dias e meio – Coraline baixou a cabeça meio decepcionada – mas pelo que vi, ele é muito ansioso, agitado, um pouco curioso, emana simpatia…

– É lindo, forte, inteligente, tem um cabelo louro muito especial – continuou ela euforicamente completando minha lista com diversas outras coisas. Olhei perplexo pra ela tentando entender seus motivos – Desculpa. É que eu gosto dele já faz muito tempo, desde que tínhamos apenas 10 anos, quando o conheci. Eu faço de tudo e ele não percebe.

– Hum…

– Sei que você é novo e tudo mais, mas… – ela fez uma carinha tão gentil que não pude recusar a qualquer pergunta que ela faria naquele momento.

– Tá eu ajudo com o que você quer. – disse descaradamente e bem espontâneo querendo ajudar, fazer algo de bom para Summer afinal de contas. – vamos fazer o seguinte – comecei o plano – hoje depois da aula você deve falar com ele sobre o que você sente está bem?

Coraline demorou a responder, parecia que estava pensando em como falar isso a ele ou nem pensar que vou fazer isso.

– O.k. Hoje mesmo eu falo com ele. Obrigada por me encorajar.

– Não há de que.

Fomos até a próxima sala de aula. Chegamos um pouco atrasados, mas ainda no horário certo. Summer nos olhou com uma cara de quem dizia “eu te disse, essa menina é encrenca”, mas nada muito preocupante.

Após as aulas, Summer me pegou pelo braço e começou a me arrastar para fora da escola; foi quando Coraline Krausterflies apareceu diante de Summer.

– Onde você pensa que vai com tanta pressa, Watson?

– Pra casa, onde mais? – Retrucou meu novo irmão.

– Não vai mesmo. – Afirmou a menina de olhos violeta – temos que conversar.

– Não pode ser amanhã? – propôs

– Não. Tem que ser hoje.

– É que eu estou com Luidge, e…

– Ele pode esperar um pouco, não é Luidge? – interrompeu Coraline. Eu assenti devagar como se eu estivesse assustado com tudo aquilo, já sabia o que ia acontecer, só não sabia o resultado.

– O.K. Então… – concordou Summer – mas tem que ser rápido Flies. – era como um apelido carinhoso.

– Não vai demorar nem um minuto.

Coraline agarrou o braço dele e saíram andando até um lugar onde eu não podia escutar, mas podia ver e como eu era de certa forma sou bom de dedução, não era problema assisti-los.

Bom, ela colocou Summer contra uma coluna perto dos armários escolares.  E começou a falar algo como uma história de muito, muito tempo atrás, como uma dissertação antes da pergunta ou declaração final a respeito de seu “True Love”. Summer estava fazendo uma cara de senta-que-lá-vem-história que me deixou muito entediado também, não sabia ao certo sobre o que ela falava, mas pela cara dele não era um assunto muito bom.

Coraline, logo que acabou de falar sua longa história de vida, virou-se de costas para Summer, estendeu as suas mãos pra trás e perguntou alguma coisa como “eu gosto de você” ou algo bem próximo dessa realidade. Ela permaneceu de costas para ele. Summer pegou nas mãos dela, abaixou-se até posicionar sua boca próxima à orelha dela e  falou algumas verdades. Ele a deixou ali e veio em minha direção. Sua expressão não estava como de costume, alegre e ansioso como eu o vira sempre (Apenas dois dias e meio); estava sério, parecia bem mais velho que de costume.

Ele passou por mim secamente e disse:

– Vem. Vamos perder o ônibus.

Assenti devagar e o segui sem muito esforço de minha parte. Entrei no transporte escolar e sentei-me do lado dele. Desta vez o ambiente não estava tão quente e abafado como antes, estava fresquinho e confortável. Olhei pela janela e vi que já estava anoitecendo.

Chegamos em casa. Jacoh estava sentado na sala de jantar ouvindo musica e aparentemente fazendo seu dever de casa. Olly sorriu pra mim enquanto eu subia as escadas para guardar meu material escolar no quarto e trocar de roupa. Summer fez o mesmo.

Ele jogou seu material ao lado de sua cama, sentou-se na beirada e começou a desabotoar sua camisa branca lentamente, cabisbaixo e meio triste.

– Ufff… – Summer suspirou pesadamente.

– Você está bem Summer? – perguntei tentando não parecer tão preocupado e sim rotineiro, quando se pergunta as coisas sem muito interesse e sim por educação. Ele acabou de desabotoar a camisa, tirou-a devagar e seus músculos surgiram como um soco no meu olho. Coraline tinha razão ele era fortinho, diferente de mim que era um magricela sem muitos músculos acumulados. Ele olhou pela janela escura num olhar bem vago e me disse:

– Eu disse não. – Parecia que o Sol havia sumido da face da Terra naquele instante.

– Disse não para…? – rotineiro novamente.

– Deixa de ser tonto! Flies me contou tudo. – Summer desabafou de forma fervorosa e tranqüila. Fiquei surpreso, pois pensei que ia ficar fora da declaração de amor da garota.

– Desculpa… – abaixei minha cabeça e olhei para meu uniforme que estava dobrando e colocando sobre a cama. – hum… Não deveria me intrometer.

– Não. Tudo bem…

Esperei um pouco até a poeira abaixar um pouco.

– Porque você recusou? – arrisquei perguntar. Ele demorou um instante para me responder. Vacilando entre olhar para a janela e tirar a calça do complexo uniforme.

– Eu gosto dela desde a primeira vez que a vi – confessou – mas não posso fazer nada…

– Qual é o problema? – tentei me intrometer. Ele voltou-se para mim e seus olhos por um instante brilharam numa coloração alaranjada cheio de sentimentos profundamente tristes pela escolha feita naquela hora do dia, parecia que ele carregava um fardo sobre suas costas.

– Não posso te dizer também, é muito pessoal. – disse ele diretamente pra mim e voltou a olhar a escuridão da noite pela janela. Eu não queria forçá-lo a dizer nada a respeito de sua drástica escolha, mesmo porque eu também tinha algo a esconder, pelo menos eu achava que era preciso. Peguei meu caderno na mochila, tinha um monte de coisa pra estudar apesar de ser o meu primeiro dia de aula, tinha que tirar o atraso.

Ao sair do quarto encostei a porta e lá estava Ollivia a me olhar. Estava começando a me irritar. Toda hora essa menina ficava atrás de mim e me dava um grande susto.

– O que foi agora Olly? – perguntei um pouco rude.

– Nada não…

– Fala Ollivia, o que você quer? – perguntei de uma forma mais suave dessa vez.

– Hum… – ela pensou, enrolou uma mecha dourada de seu cabelo em seu dedo, olhou pra mim e disse – quer pintar comigo?

– Seu irmão Jacoh não pode brincar com você? – perguntei de cara sem muita enrrolação.

– Ele ta ocupado. Papai e mamãe também e Summer está triste… Só sobrou você.

Ela fez aquela carinha triste de criança, igual ao que meu irmãozinho fazia e não pude resistir.

– Está bem.

Deixei minhas tarefas de lado; não que não fosse preciso estudar, mas dava pra deixar pra outro dia.

Ollivia soltou uma risadinha de alegria, pegou minha mão, me levou até a sala de T.V. e começamos a desenhar e pintar. Enquanto pintava Olly cantarolava uma melodia muito infantil e ao mesmo tempo gostosa de ouvir. Alegrei-me pintando com ela, era como um anjo em minha vida; dava-me paz e me enchia de alegria. De repente comecei a sentir uma dor de cabeça não muito forte, mas que me incomodava.

– O senhor está bem?  – perguntou a menina num tom bem preocupada.

– Estou sim. – menti, mas não era totalmente uma mentira, realmente estava bem, nada muito preocupante. – o que você fez ai Olly?

– Um castelo nas nuvens. – novamente a menina de cabelos dourados como o Sol riu, me deixando em paz – E você Lu? – também ganhei um apelido.

– Eu estou fazendo um cavalo de fogo.

– Nossa que lindo! – exclamou a menina. Eu realmente era muito bom em desenho também – faz um pra mim depois?!

– faço sim. Faço tudo o que você desejar mocinha. – fiz cócegas nela e ela soltou uma gargalhada tipicamente de princesa, muito inocente.

Dez minutos depois, a dor de cabeça dobrou. Eu larguei o lápis na chão e massageei as têmporas devagar. A dor foi aumentando gradativamente, me deixando com muita tontura e ânsia, eu estava prestes a vomitar.

Soltei um gemido aterrorizante. Olly saiu correndo chamando os pais. A dor de cabeça continuou a latejar e massacrar meu cérebro, como se uma bomba tivesse explodido em minha cabeça e a população dela gritasse por socorro imediato. Eu fechei os olhos com força tentando esquecer a dor, mas ela crescia cada vez mais e mais, não sabia se ia aguentar por muito tempo. Lembrei-me de meu sonho e entrei em desespero. Coloquei a cabeça entre os joelhos e comecei a gemer. O senhor Watson desceu as escadas correndo.

– O que foi Luidge? Fala comigo? – exclamava. Eu respondia com gemidos fortes. Enrolei minhas mãos na cabeça apertando com força para ver se a dor se continha.

– Luidge! Filho! – a senhora Anna também estava lá perto de mim tentando me chamar de volta, mas a dor que eu sentia era tamanha que pude ver os lápis de cor da Ollivia rodarem a minha volta literalmente. Estava muito tonto e cheio de dor que não liguei para o que meu cérebro me fizesse perceber para tentar lutar contra essa força que emanava dentro de mim. As luzes começaram a piscar. Os móveis da sala de T.V. começaram a se afastar ou simplesmente tremerem. A pressão interna aumentava exponencialmente; eu não sabia se iria resistir por muito tempo. Talvez eu morresse ali mesmo. Comecei a pensar na minha família que estava longe de mim, pensei na dor que estava lhes causando, como eles ficariam quando soubessem que eu havia fugido e morrido. A dor me nocauteava aos poucos, e a cada pontada que massacrava meus neurônios, eu lentamente ia perdendo a consciência do que realmente estava acontecendo.

O senhor Watson me sacudiu. Pude ouvir Summer gritando meu nome e os olhos verdes de Jacoh na escada. A pequena Ollivia chorava no canto da sala.

Eu apaguei.

CAP.01

FUGINDO

Era dia cinco de maio quando tudo começou. Sai de casa pela alva, era noitinha ainda e estava meio frio, com aquele cheirinho de chuva. Acordei espirrando com os pulmões um pouco fracos, mal conseguia respirar. Tomei uma ducha gelada, o chuveiro era à energia solar. Arrumei os últimos preparativos da viagem, conferi se o celular estava ou não na mala, se tinha pegado a carteira, se tinha roupa o suficiente, esse tipo de coisa. Fiz uma inalação rapidinha, minha mãe é medica e me ensinou a fazê-la sem necessidade dela. Desci as escadas com calma não querendo fazer alarde com a minha ida para o desconhecido. Peguei as chaves de casa, uma douradinha de quatro segredos, coloquei devagar na fechadura e rodei-a de modo a não fazer barulho, não queria acordar meus irmãos e pais no meio da madrugada. Fui até a mesa onde ficava o telefone e deixei um bilhete com meu nome em cima, um daqueles bilhetes cheios de explicações e motivos. Abri a porta com cautela e parti para a rodoviária. Peguei o primeiro ônibus para o aeroporto que ficava em Guarulhos, depois de São Paulo. Era um ônibus simples, muito humilde, não era muita coisa, mas me levaria até o destino que tinha traçado; na verdade nem eu sabia pra onde iria direito, fiz tudo às pressas; meus pensamentos estavam meio vagos, sem sentido algum, faltava organizá-los de forma lógica e criativa, mas não estava muito a fim de fazê-lo no momento. Deixei que o meu senso de direção me guiasse, ele também era falho, mas era a única coisa que me veio pela cabeça no momento presente. Entrei no ônibus, que saia de São Bernardo do Campo, sentei-me perto da janela, pus meu capuz e encostei-me na janela, eu parecia triste e desanimado para quem olhava de fora, era essa a impressão que tinha. Eu estava meio depressivo, alias sou fleumático melancólico, não tinha muito que fazer a respeito, além de me agüentar naquela minha fossa deliciosa da madrugada.

Finalmente cheguei ao meu destino, depois de um punhado de horas. O Aeroporto; fui até o guichê, lá se encontrava uma mocinha muito bonita, pelo menos parecia aos meus olhos, ela tinha o cabelo acobreado e preso num coque bem feito, usava um uniforme bem justinho, parecia que acabara de lavar o uniforme, pois ele tinha um delicioso cheiro de amaciante, tinha belos olhos verdes que transmitiam uma simpatia impar e um belo sorriso, muito cativante.

– O que deseja? – ela disse muito simpaticamente, querendo me atender da melhor forma possível. E, de certa forma sua simpatia me conquistou de imediato e eu respondi as pressas.

– Vou querer uma passagem para… – atropelei as palavras, mas por um instante demorei um pouco para responder, pois queria ter certeza do que queria – Inglaterra… – ainda cheio de duvidas em minha decisão, acho que deixei transparecer, pois a atendente percebeu e disse:

– Tem certeza senhor… Hum…? – como querendo saber meu nome e se eu realmente tinha certeza de algo. Cocei a cabeça umas três vezes, meio acanhado por não ter me apresentado, eu teria que dizer meu nome mesmo, mais cedo ou mais tarde para preencher os dados da passagem.

– Heatsun – disse de imediato apressadamente, meu rosto corou e olhei para baixo meio de canto muito envergonhado, não sei o motivo, creio que achei a moça que me atendia mais bonita do que pensara de inicio; pausei-me tomei fôlego e disse meu nome completo para que ela anotasse direito – Luidge Cavallete Heatsun e, sim tenho certeza… Quero ir para Inglaterra – disse com firmeza, acho que a convenci desta vez. Mostrei a ela as passagens que a escola me forneceu e os meus documentos, RG, CPF, essas coisas.

A atendente me olhou com uma cara de estranheza, franziu as sobrancelhas, e me perguntou curiosa:

– O senhor é descendente de americanos?

Ela ficou lá com aquela carinha de anjo olhando para mim enquanto eu organizava as palavras em um arranjo simples de se entender sem mais delongas

– Não, meu avô é inglês. – a atendente ficou num silencio momentâneo esperando que eu me abrisse com ela, o que de fato não aconteceu. Ela balançou a cabeça e continuou o procedimento. Terminei de dar os dados necessários para a passagem e fui para o embarque, pois cheguei um pouco fora de hora, ou seja, o embarque já estava acontecendo. Ao embarcar fui direto para o meu assento e lá fiquei, coloquei meu capuz de novo, do mesmo modo melancólico da outra vez, fechei os olhos e por um instante pensei no que iria acontecer quando soubessem que eu havia saído de casa sem ter notificado ninguém; comecei a ter um excesso de lamentação pela minha família, não sabia quando e se eu os veria novamente, agora que tinha um peso a carregar, não podia mais ficar perto deles, sem que se machucassem ou se porventura não aprovassem esse peso que agora iria carregar para toda a eternidade, ou melhor, por toda a minha vida. Logo me esqueci destes pensamentos, adormeci por um instante.

Sonhei; ou melhor, tive um pesadelo inesperado. Eu estava no meio da cidade de São Paulo, totalmente sozinho. De repente eu começo a escutar um milhão de vozes pedindo por ajuda, querendo um lugar pra se refugiar, ouvi muitas pessoas cantando, outras pensando em casamento, umas vozes felizes e outras cheias de pesar. Um em particular me chamou atenção, uma voz que dizia meu nome e me chamava. Segui por onde aquela terrível voz me guiava, eu parecia um imã seguindo para o norte. Cheguei numa rede de esgoto. Lá as vozes em minha mente falavam outras línguas e percebi que estava a ponto de explodir, minha cabeça começou a doer consideravelmente. Era como se meu cérebro carregasse o mundo; como se fosse uma estação de rádio onde todas as freqüências se fundiam. Eu não agüentava mais. Meu nariz começou a sangrar, meu crânio estalou e mais sangue escorreu de minha cabeça. Uma mão negra desceu sobre minha cabeça. Sua palma ficou de frente com meus olhos. No meio dela, uma fenda começou a se abrir, parecia uma boca com dentes perfeitos. Assustei-me. Enquanto eu explodia de dor e medo, a mão negra gritava estridentemente.

Acordei assustado e meio de mau humor quando ouvi a voz estridente de uma garota a me chamar:

– Senhor! Senhor! – dizia a moça sem parar – o Senhor gostaria de uma coberta? – eu disse que não com a cabeça e voltei ao meu estado zen sofredor a que me encontrava no momento em que fui interrompido pela aeromoça, creio que ela era nova e sem experiência em como tratar os passageiros; sei lá com se deve tratar um passageiro; nunca fui aeromoça e não pretendo ser; mas dei graças quando ela me acordou, não suportaria mais um minuto naquele terror. Ao perceber isso, que talvez a aeromoça fosse nova, um forte pensamento tomou-me e percebi que, eu também estava em uma nova jornada, a atendente era nova e a aeromoça também era recente no trabalho ao meu ver, eu estava num mundo novo sem perceber, agora não tinha mais como voltar atrás, já havia combinado esse intercambio sem tempo de duração com a escola, tinha que seguir em frente.

Chegando à Inglaterra depois de horas a fio, desci do avião meio desconcertante e dirigi-me até o lugar onde eu seria recebido. O intercambio de tempo indeterminado na Inglaterra não ia ser num hotel, eu ai ficar com uma família de sobrenome Watson, logo me lembrei do Sherlock, foi por um breve momento, mas deixei transparecer com um sorriso sutil de canto, creio que poucas pessoas notaram. Lá estava quentinho, era primavera creio, não sou muito bom em clima, estações e coisas do gênero; tirei minha blusa e dobrei de forma fácil para carregar na mão, eu acho muito feio prender na cintura, é deselegante, e estando em um país rico como a Inglaterra, tinha que me comportar como se fosse um cidadão inglês, andei rápido pelos corredores do desembarque olhando cuidadosamente as placas. Peguei minhas malas, foram quase as primeiras a aparecerem. Continuei por rum corredor à direita; achei as portas do finalmente desembarque no fim do corredor, fui o mais devagar possível, pois estava sentindo um desconforto, uma ansiedade sem igual, já tinha sentido isso outra vez, mas nunca num aeroporto prestes a me entregar a outra família que me acolheria por tempo indeterminado; foi ai que caiu a ficha, eu iria ficar longe de casa por um tempo “X” com outra família que eu mal conhecia, ia ser a primeira vez que eu os veria, não sabia se eram legais, amorosos, se bem que a fama dos ingleses é a frieza a distancia, e eu estava acostumado com um lugar cheio de amor e abraços cheios de ternura, não sabia se ia me acostumar. À medida que eu chegava perto da porta, meu coração batia mais forte, parecia que ia enfartar a qualquer momento; finalmente cheguei, a porta era automática, reagia ao calor humano ou ao deslocamento de ar em abundancia, era péssimo para essas coisas que envolviam tecnologia. Era ruim em quase tudo no final das contas.

Ao passar por ela, meus olhos procuravam aflitos pela presença de uma família segurando uma plaqueta com meu nome, não consegui achar de primeira, tive que dar outra olhada bem devagar, conferindo cada placa que estava à minha disposição. Finalmente meus olhos reconheceram meu nome, era uma plaquinha branca, escrito Heatsun em preto no meio dela, era simples, mas acalentador, finalmente achei aqueles com quem iria passar um bom tempo. Eles eram num total de cinco; um homem de cabelos louro meio acinzentado com a barba bem feita, olhos azuis profundo, vestia uma camisa tipo pólo branco que estava para dentro da calça jeans azul escura dele, e tinha em seus ombros uma malha de lã salmão, eu achei muito chique, aparentava ter uns trinta, trinta e um anos, era um pai dedicado pelo pouco que pude avaliar. A moça ao lado dele, era sem duvida sua esposa, ele denunciou quando segurou a mão dela com total devoção, não do modo comum, mas o segurar entrelaçando os dedos, e dando um belo sorriso; ela possuía os cabelos lisos e acastanhados, com um toque dourado, olhos que pareciam gotas de chocolate; realmente muito bonita, ela usava uma saia preta muito básica, seus pés estavam apoiados em elegantes sapatos verdes do tipo agulha, muito altos, parecia ter a mesma altura de seu marido, um metro e oitenta arredondando mais ou menos, formavam um lindo casal, tive que admitir. Na frente deles havia três pessoas, logo, pela disposição delas, percebi que eram os filhos deles. Um da minha idade aparentemente, grande em altura devia ser maior que eu. Ele tinha o cabelo louro escuro, meio cobre olhos iguais aos de seu pai, bem vestido igual. Um menorzinho devia ter uns quinze anos no máximo; moreno de olhos verdes, agradável às vistas apesar de suas olheiras. Uma menina muito graciosa parecendo uma boneca, loirinha de cabelos longos e olhos de uma coloração que eu particularmente acho incríveis: Âmbar. A garotinha usava um vestidinho rosa simpático, devia ter uns sete talvez oito anos, estava segurando nas pernas de sua mãe, a primeira vista muito tímida. Aproximei-me da família devagar, num bom passo diria – Olá… – disse timidamente e acenando com a mão tremula.

– Luidge? Luidge Heatsun? – disse simpaticamente e com um belo sorriso e os olhos cheios de alegria a moça que seria minha nova mãe nessa nova aventura em que me colocara.

– Sim, sou eu mesmo… Prazer em conhecê-los… – disse o mais fluente que pude, acho que perceberam meu nervosismo e, provável sotaque.

– O prazer é nosso… – respondeu o pai de família – Meu nome é Charles Watson, essa é minha esposa Anna e, nossos filhos Summer, Jacoh e Ollivia… – ele apontou para cada um e eu assenti com a cabeça para todos.

– Pai… – disse Jacoh numa voz bem adolescente, não muito grossa e nem muito fina, querendo algo de Charles – A gente já pode ir? – ele parecia muito entediado com tudo aquilo, pois revirou os olhos depois de me olhar e suspirou como se me conhecer fosse realmente muito, muito chato.

– Claro! Nosso novo membro da família chegou. – fiquei surpreso por um instante, ele disse mesmo “o novo membro da família”? Foi isso o que escutei? Parece que sim, por um momento meu coração saltitou de uma vaga esperança.

Enquanto caminhávamos para o veículo da família Watson, analisei um pouco os filhos do casal. Summer ficava sempre ao lado do pai, segurando seu ombro, como se quisesse protegê-lo de algo que logo aconteceria, ele falava muito sobre a escola e coisas do time em que ele fazia parte e dava uns risinhos simpáticos toda vez que ouvia alguma coisa engraçada, creio que seremos bons amigos num futuro não muito longe. A menina vestida de rosa ao contrário de seu irmão mais velho, não largava da senhora Watson, era um grude. Vendo mais de perto, não tinha percebido que Ollivia tinha um olhar triste, quase gritante “quero colo!” fiquei meio aflito, mas a menina olhou para mim e forçou um sorriso esplendido, ganhei o dia, senti uma paz tremenda de estar ali perto dela. Enquanto os quatro avançavam na frente, Jacoh, o filho do meio, ia entre mim e sua família; ele andava com as mãos no bolso, olhando pro chão, com um semblante de solidão, luto e dor, tudo ao mesmo tempo. E para somar a toda essa presença que ele tinha, seu cabelo tinha uma franja realmente muito grande, tampando completamente seus olhos, vindo até o meio do nariz; creio que ele fique em segundo plano sendo o filho do meio, não devem dar muita atenção a ele.

Chegando no estacionamento do aeroporto, entramos no carro e fomos até a residência Watson. Pelo caminho fui meditando sobre as coisas que haviam de acontecer, mas logo fui interrompido. A pequena mão de Ollivia tocara-me e voltei meus olhos surpresos para a menina angelical.

– Está tudo bem com o senhor? – disse-me ela timidamente, mas com muita convicção do que estava falando. Balancei a cabeça positivamente para não deixá-la preocupada com coisas que ela não poderia entender e, além do mais, nem eu sabia direito quais eram minhas preocupações.

– Pode me chamar de Luidge.

– Hum… Tudo bem senhor Luidge…

– Só Luidge – adverti simpática mente – Não precisa do senhor.

– Hum… Tudo bem senhor Luidge… –  Ela continuava a me chamar de senhor, não pude fazer muita coisa a respeito. Tentei distrair-me de meus pensamentos falando com Ollivia.

– Quantos anos você tem Ollivia? É Ollivia né? A menina com carinha de anjo ergueu suas mãozinhas e me respondeu.

– Oito anos… E… É Ollivia sim… Senhor Luidge…

– E a senhorita – Não era muito bom em trocadilhos, mas tentei imitá-la para ver sua reação – Gosta de fazer o que? Ele pensou um bocado para me responder. Eu também tenho um irmão de oito anos e geralmente ele responde tudo sem pensar a respeito, sempre mudando sua opinião é um saco, mas uma graça de menino. Fiquei um pouco com saudade, mas antes de me entregar a tristeza e a duvida Ollivia interrompeu-me.

– Passear no parque e tomar sorvete de morango…

Senti uma alegria estranha surgir e meus lábios começaram a abrir-se num sorriso tímido ao contrário de Olly (apelidara a menina de cabelos dourados como o Sol em meus pensamentos) que me mostrara seus radiantes dentinhos num largo sorriso. De algum modo a inocência dela me deixava feliz como da outra vez que sorriu pra mim. Acho que foi bom “fugir” de casa, apesar de tudo, nesse intercambio as pressas. Ao se aproximarmos da residência dos Watson, senti como se estivesse de mudança: Uma nova família e uma nova casa. Eles moravam num bairro muito elegante; o Senhor Watson disse o nome, porem eu estava tão surpreso com a casa deles que não me preocupei em guardar. A casa tinha aparentemente dois andares inteiros e enormes, um sótão de tamanho considerável, provavelmente um porão e um jardim do Éden. Tudo o que eu não tinha na minha terra natal. Tenho tudo na verdade, só que de tamanho bem reduzido e sem o aparente porão.

– Gostou? – disse a Senhora Anna com um sorriso materno no rosto. Balancei a cabeça como num sim tímido, porem muito sério. – É aqui que você vai morar a partir de agora. – acrescentou ela – sinta-se em casa.

Jacoh passou por mim como se eu não existisse trombando comigo. Derrubei minha mala no chão. Abaixei-me para recolher minhas coisas. Summer se aproximou de mim e me ajudou a recolher. Ele era quente, uma espécie de calor que emanava dele. Sei lá talvez seja só o calor do ambiente, estava realmente quente.

– Jacoh é assim mesmo, não liga não – disse ele – vem vou lhe mostrar seu quarto.

Anna me incentivou a acompanhá-lo e o segui casa adentro. Por dentro, a casa era incrivelmente magnífica, digna da realeza. Era tudo muito delicado e elegante, creio que muito, muito caro também. A casa por dentro tinha um cheiro peculiar e muito famoso também; Chá e bolo, muito típico dos ingleses. Meu avô adorava chá de camomila e bolo mármore. As paredes eram de um tom que eu classificaria como marfim. Todos os móveis da sala, a maioria pelo menos, era marrom, castanho e, o que era de madeira, realmente era madeira; sabe? Aquelas de famosas madeiras-de-lei. Segui Summer pelas escadas.

– Chegamos! – disse ele num tom de surpresa – é aqui que você vai dormir – continuou ele. O quarto estava um pouco bagunçado e quando eu ia começar meu devaneio… – Está um pouco bagunçado né? – Summer continuou – eu me esqueci de arrumar nosso quarto, desculpa…

– Nosso?! – perguntei surpreso e balançando a cabeça pasmo.

– É. Nosso. Meu e seu de agora em diante.

– Pensei que eu ia ficar sozinho, pois acabei de chegar e não queria incomodar… – comecei a explicar minha surpresa anterior, mas fui bruscamente pausado por Summer.

– Calma. Espera um pouco, respira… – respirei fundo e ele continuou – você fala demais quando nervoso né?! – assenti. Ele estava redondamente certo sobre o assunto. – a idéia inicial era de você ficar sozinho para adaptação, mas meu querido irmão não quis ficar comigo… Então você fica comigo aqui. Entendeu? Balancei a cabeça. – Agora arruma suas coisas, minha mãe não gosta que o jantar esfrie.

– O.k.

Summer desceu as escadas correndo. Eu entrei no quarto. Era muito abafado lá dentro, tinha até um cheiro forte de praia. Abri as janelas para ventilar. Uma brisa gostosa assolou o quarto, levou o calor e o cheiro de protetor solar embora e me senti bem melhor. Abri minha mala e comecei a tirar minhas roupas e por no armário vazio. Estava escrito meu nome numa folha na porta do armário, então foi fácil identificar qual era minha parte dentro do grande armário. Após arrumar minhas coisas, fui até o banheiro que ficava no corredor; lavei minhas mãos e meu rosto, olhei para o espelho e conferi meus olhos castanhos claros brilhando com a forte luz do armário do banheiro, meus cabelos castanhos molhados com a água que lavara meu rosto pálido de não gostar muito de Sol e disse a mim mesmo

– Pronto. Quando fui sair do banheiro, Olly estava parada me olhando. Levei um pequeno susto. – O que foi Ollivia? Demorei muito? – ela tava com uma cara de brava olhando pra mim. Ela estendeu a mão e disse numa expressão mais envergonhada:

– Vem comigo… Minha mãe ta chamando para jantar…

Sorri pra ela e estendi minha mão para pegar na dela. Ela estendeu em falso como se tivesse dúvida se pegava ou não nela, mas por fim criou coragem e pegou. Sua pele corou e eu soube que ela gostava de mim, não sei o motivo, mas era divertido ter alguém que gostava de mim naquele momento, mesmo que fosse uma criança.

Descemos as escadas e fomos jantar.

Nº 01

PERTENÇO

 

Minha vida está,

Derramada em Teu altar;

Mas quando é que eu vou admitir:

– Sou todo Teu.

 

Meu coração é todo Teu,

Mas sei que parte dele é meu.

Tenho que lhe dar todo meu ser

E não duvidar…

 

Minha alma só pertence a Ti,

De todo jeito estou preso a Ti,

Mas meus labios não querem confessar

Que lhe pertenço…

 

Eu amo quando me corrige.

Lembra um pai que me quer muito bem.

Me afasto de ti para chorar,

Mas Tu vem logo atrás

 

Me abraça, ama e me quer muito bem,

Mas também me fere para advertir.

Nada me faz O largar,

Nem todos os bens.

 

Minha alma só pertence a Ti,

De todo jeito estou preso a Ti,

Mas meus labios não querem confessar

Que lhe pertenço…

 

Minha vida inteira é Tua senhor.

De todas as coisas só desejo a Ti.

E forço minha vida a demostrar

Que só Te amo.

 

Pois um dia

Sacrificou

Alguem

Especial

Jesus na cuz

Deu sua vida

Para me….salvar

 

Minha vida está,

Derramada em Teu altar

Mas quando é que eu vou admitir:

 

Minha alma só pertence a Ti

De todo jeito estou preso a Ti

Mas meus labios não querem confessar

Que lhe pertenço…

 

Minha vida inteira é Tua senhor

De todas as coisas só desejo a Ti

E forço minha vida a demostrar

Que só Te amo

 

Meus labios um dia vão confessar

Que lhe pertenço…

 

by Lunatto



CAP.00

PRÓLOGO

Durante muito tempo, nossa anomalia nos fez crescer em poder nas eras antigas. Nossos ancestrais eram chamados de deuses, Titãs ou seres cheios de puro poder; Alguns foram conhecidos como anjos ou ninfas por possuírem uma áurea totalmente especial ligada à natureza ou ao sentimento das pessoas. Os mais famosos são os conhecidos Super-Heróis, que ilustram HQs pelo mundo todo.

Estamos em toda parte, mas pouca gente sabe de nossa existência nos dias atuais. Porem quando descobertos, somos caçados até a morte ou colecionados como figurinhas, ou borboletas.

Estamos em constante perseguição. Você quer saber o porquê de toda essa procura insaciável?

Alguns são muito valiosos. E quando digo valiosos, realmente somos como verdadeiros diamantes; disputados por nações.

Nome

bom, não sei se dá para mudar o nome do site, digo o endereço…mas se der, trarei novidades…

ex: outras coisas, fora o projeto CDZ…muahahahhaha

bj

Bom, eh o seguinte, descobri que não dah, logo….eu vou mudar soh o nome do blog, ai o link vai ficar com esse nome mesmo…. eu naum ligo….hauhuahua…mas vamos lah…. sempre avante.

Vôo da pomba

CAP.13

Hoshi tentou ajudar seu mestre, mas também falhou. Rubens de Unicorner disse que agora seria o fim de todos eles.  Estendeu suas mãos aos cavaleiros de Athena e exclamou um de seus golpes (Blizzarra Climatic) os lançando novamente ao chão totalmente acabados. O inimigo gabou de si mesmo e disse que era infinitamente melhor que qualquer cavaleiro de Athena. Julieta retrucou e disse que ela mesma iria fazer com que Rubens engolisse suas palavras. Ela estava abraçando o corpo gélido de Romeo. Ao ver que a amazona de pomba sem condições de lutar o desafiou riu-se e disse que queria ver do que ela poderia fazer naquele estado em que se encontrava totalmente patética sobre o corpo do amado. A pomba agarrou forte Romeo, deu um beijo em seu ombro delicadamente, olhou para Rubens e disse que o amor ainda contara mais uma historia e que somente com a perda de um ela poderia realizar um milagre. Rubens ficou espantado, pois enquanto ela falava seu cosmo se elevava ao infinito. Julieta disse adeus aos companheiros e disse que não morreria em vão, morreria por Athena como fizera no voto quando se tornara cavaleira. A pomba deu um ultimo olhar para o amado e exclamou com firmeza “Love Story!!!”. Julieta se tornou puro cosmo junto com Romeo, envolveu Rubens num turbilhão e ascendeu aos céus. Estava tudo acabado.

Herakles apareceu depois de um tempo e os levou de volta para o santuário.

 …

 Sarah de Spear e Xavier de Chain não estavam mortos como pensava o cavaleiro de Áries. Os não derrotados se levantaram para voltar ao castelo de Ares quando foram interceptados por uma pessoa familiar. Pyro de fornalha estava lá. “Onde você estava Rod?” Perguntou Sarah perplexa. “Eu estava observando a atuação de vocês e… Achei péssima… Nosso deus precisa de gente capaz e não de inúteis como vocês…”.

Chain e Spear suplicaram por suas vidas, mas já era tarde demais, Pyro os tinha consumido pelo fogo.